EUA querem "russos fora"

EUA querem "russos fora"

Prestes a se reunir com o chanceler de Moscou, chefe da diplomacia americana aponta "interferência" do Kremlin na crise. Sergei Lavrov recebe o colega venezuelano e critica "planos irresponsáveis" de Washington

postado em 06/05/2019 00:00
 (foto: Kirill Kudryavtsev/AFP )
(foto: Kirill Kudryavtsev/AFP )

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, parte para a Finlândia levando uma mensagem dura e clara para o chanceler da Rússia,Sergei Lavrov, com quem deve se encontrar nos próximos dias, à margem de uma reunião do Conselho do Ártico. Com a crise política venezuelana no centro da conversação bilateral, Pompeo antecipou o que pretende dizer ao colega: ;Os russos devem partir; do país sul-americano. Lavrov receberá o recado depois de ter recebido em Moscou o chanceler da Venezuela, Jorge Arreaza, e adiantado o tom da resposta que aguarda o emissário de Donald Trump: que os Estados Unidos desistam de ;planos irresponsáveis;.

;Todos os países que interferem no direito do povo venezuelano de restaurar sua democracia devem sair;, disse o chefe da diplomacia americana. Ele adiantou que terá ;mais conversas; com Lavrov sobre a presença da Rússia na Venezuela, durante a reunião que manterão na Finlândia. Importante parceiro econômico do regime chavista há duas décadas, o Kremlin aprofunda a cooperação no terreno da defesa, com a exportação de material bélico, em especial aviões e sistemas antiaéreos. Em março, um contingente de 100 militares russos desembarcou em Caracas.

Pompeo estendeu as queixas a outros governos que acusa de apoiarem o governo de Maduro na repressão a protestos e na supressão da oposição. Em particular, os EUA sustentam que assessores militares de Cuba orientam o Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) na perseguição aos adversários do regime. Washington também denuncia a infiltração de agentes da milícia xiita libanesa Hezbollah, aliada ao regime islâmico do Irã. ;Queremos que os iranianos, os russos e os cubanos saiam (da Venezuela);, resumiu o secretário de Estado americano.

A crise política venezuelana se agravou na semana passada, com a tentativa frustrada do líder oposicionista Juan Guaidó de liderar um levante militar contra Nicolás Maduro. O comando das Forças Armadas se manteve leal ao presidente chavista, que denunciou uma ;tentativa de golpe; patrocinada pela ;extrema-direita; local, com apoio ;do imperialismo; (os EUA). Guaidó, proclamado ;presidente encarregado; pela Assembleia Nacional, em 23 de janeiro, e reconhecido por Washington e mais 50 governos, anunciou a rebelião como o ;primeiro passo; do que chamou de ;operação liberdade;, com o objetivo de ;pôr fim à usurpação; do poder por Maduro.




;Pedimos aos americanos e a todos que os apoiam que abandonem seus planos irresponsáveis e atuem exclusivamente dentro da estrutura do direito internacional;, disse em Moscou o chanceler russo, no início da reunião que manteve com o colega venezuelano. ;Estamos testemunhando uma campanha sem precedentes dos EUA para derrubar as autoridades legítimas da Venezuela;, completou Lavrov. Jorge Arreaza exaltou a importância do apoio do Kremlin. ;A relação entre Moscou e Caracas tornou-se mais significativa, não apenas para nossos dois países, mas também para o mundo;, declarou.

Imunidade

O presidente da Assembleia Constituinte, instituída por Maduro para substituir a Assembleia Nacional, de maioria oposicionista, antecipou ontem que o organismo, de composição 100% chavista, prepara a suspensão da imunidade parlamentar dos deputados que apoiaram a rebelião convocada por Guaidó. ;A Procuradoria abriu os procedimentos e estão chegando à Constituinte todas as solicitações de retirada da imunidade parlamentar;, anunciou Diosdado Cabello, considerado o ;número dois; do regime. ;E, certamente, levantaremos as mãos para suspender a imunidade de todos os que participaram ativamente daquele ato.;

Vários deputados da Assembleia Nacional acompanharam Guaidó, cerca de 30 militares e o líder oposicionista Leopoldo López, até então em prisão domiciliar, na tentativa de iniciar o levante contra Maduro, na terça-feira. Um grupo de 25 oficiais de baixa patente e suboficiais pediu refúgio na embaixada brasileira em Caracas. López, que agora tem prisão decretada pela Justiça, está hospedado desde então na representação diplomática da Espanha. ;A Justiça vai chegar para eles, não duvidem;, prometeu Cabello diante de militantes do Partido Socialista Unificado da Venezuela (PSUV, chavista).






Tragédia na pista
Pelo menos 41 pessoas morreram ontem no acidente com um avião comercial russo que se incendiou em pleno ar e teve de fazer um pouso de emergência no aeroporto Sheremetievo, em Moscou, de onde tinha acabado de decolar. O Sukhoi Superjet 100, operado pela companhia Aeroflot, transportava 78 pessoas, entre passageiros e tripulantes, com destino a Murmansk, no extremo norte da Rússia. Informações iniciais mencionavam 37 sobreviventes. De acordo com a agência de notícias Interfax, a aeronave ;enviou um sinal de emergência logo após a decolagem, fez uma primeira tentativa fracassada de pouso e depois bateu com a fuselagem no solo;. Uma investigação foi aberta para apurar as causas do acidente e eventuais infrações às normas de segurança de voo.

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