Manobra de mestre impressa em 3D

Manobra de mestre impressa em 3D

Peças para esportes ao ar livre, como remo e skate, são produzidas em formato tridimensional a partir de plásticos reutilizáveis. Criada por cientistas americanos, máquina também chama a atenção por ter sido criada em código aberto

postado em 06/05/2019 00:00
 (foto: Nathan Shaiyen/Michigan Tech)
(foto: Nathan Shaiyen/Michigan Tech)


A impressão tridimensional geralmente é relacionada a peças pequenas e detalhadas, como miniaturas, maquetes e dispositivos médicos. Mas há espaço para a fabricação de objetos maiores, como os usados em esportes ao ar livre. Uma equipe de cientistas americanos se dedica a um projeto do tipo, que tem outros dois atributos que também chamam a atenção: o uso de resíduos de plástico como matéria-prima e a fabricação dos equipamentos por meio de uma impressora industrial de código aberto.

Em testes, a criação, intitulada Gigabot X, imprimiu skates, remos para caiaques e raquetes de neve. ;Não se trata de um gadget para fazer brinquedos para os filhos. É uma máquina industrial destinada a fabricar produtos reais, grandes e de alto desempenho;, resume, em comunicado, Joshua Pearce, professor do Departamento de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade Tecnológica de Michigan, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo, divulgado recentemente na revista Additive Manufacturi.

Segundo Joshua Pearce, a equipe sempre considerou o uso de plástico reciclado no projeto da impressora 3D. No ano passado, em um estudo colaborativo com o Departamento de Tecnologia da Universidade de Michigan, eles mostraram que o Gigabot X poderia ser usado com uma ampla gama de plásticos passíveis de reciclagem. Esse sistema é baseado em um projeto anterior dos pesquisadores, chamado recyclebot, que produz resíduos de filamentos de plásticos para a impressão em três dimensões.

A equipe de Pearce analisou as melhores maneiras de organizar, peneirar e classificar o plástico para aperfeiçoar a capacidade de impressão em 3D. Eles concluíram que, ao longo dos processos de reúso, o derretimento e a expulsão enfraquecem o material. Por isso, estabeleceram que o plástico consegue resistir a cinco ciclos até ser mecanicamente comprometido.

A novidade do Gigabot X é o processo chamado fabricação de partículas fundidas. Esse novo método desconsidera a parte da fabricação de filamentos antes da impressão em 3D e economiza em um ciclo de fusão. Basicamente, imprime-se diretamente a peça partir de resíduos triturados.

Investimento alto

Ainda assim, o custo da máquina não é baixo: cerca de US$ 18 mil. Segundo os criadores, os testes mostram que o investimento inicial tem potencial de maior retorno do que outras soluções do tipo. A equipe comparou os custos de opções de baixa e alta qualidade de produtos comercialmente disponíveis e de três tipos de impressões: com filamentos comerciais, com filamentos de plástico derretido e com plástico reciclado. Esses recursos de impressão foram testados em quatro cenários: impressão contínua, uma impressão por dia, duas impressões por dia e uma por semana.

As soluções foram usadas para a fabricação de três peças: uma plataforma de skate, um remo de caiaque de lâmina dupla e raquetes de neve. A impressão do remo era a mais desafiante devido à necessidade de uso de um tubo de metal. Ainda assim, comparada com os outros processos de impressão, a feita na Gigabot X ficou mais barata. Mais fáceis de produzir, os skates e as raquetes de neve foram produzidos pelo novo equipamento também com redução de custos.

Quanto ao tempo de uso, se operado apenas uma vez por dia, o Gigabot X pode produzir milhões de dólares em produtos esportivos, segundo Joshua Pearce. ;Economicamente, ele faz sentido. O importante é que fornece retornos de investimento de dois ou três dígitos na maioria dos cenários. Essencialmente, se você estiver usando mais de uma vez por semana, ganhará dinheiro facilmente;, frisa.

O cientista chama atenção para a possibilidade de a criação ser compartilhada, o que potencializa a proposta de reutilização de recursos. ;Com mais de mil fab labs espalhados pelo mundo e se transformando em laboratórios verdes fabulosos, o Gigabot X pode ser uma ferramenta útil a ser adicionada aos serviços desses locais, bem como a outros espaços de trabalho;, explica.


;Não se trata de um gadget para fazer brinquedos para os filhos. É uma máquina industrial destinada a fabricar produtos reais, grandes e de alto desempenho;
Joshua Pearce, professor da Universidade Tecnológica de Michigan e um dos criadores da Gigabot X





Produção colaborativa
Trata-se de uma abreviação para laboratório de fabricação. O espaço é ocupado por pessoas que, sintonizadas com ideais colaborativos, compartilham materiais e ferramentas digitais para a produção rápida de objetos. Esse conceito gira em torno do movimento cultura maker, que reúne interessados em juntar o universo da eletrônica e da robótica com técnicas não digitais, como artesanato e marcenaria.


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