Temer pode ir para quartel

Temer pode ir para quartel

Superintendência da PF em São Paulo tem de improvisar cômodos para abrigar ex-presidente. Justiça deve decidir se ele muda de prisão

» Augusto Fernandes
postado em 11/05/2019 00:00
 (foto: Evaristo Sá/AFP - 1/8/17)
(foto: Evaristo Sá/AFP - 1/8/17)


Sem condições de oferecer uma sala de Estado-Maior ao ex-presidente Michel Temer (MDB), a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo ouviu a defesa do emedebista e, agora, aguarda a autorização da 7; Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro para transferi-lo a um quartel da Polícia Militar na capital paulista. Desde que foi preso na última quinta-feira, Temer ficou em duas salas improvisadas dentro do prédio da corporação.

Diretor executivo da Polícia Federal em São Paulo, Luiz Roberto Ungaretti de Godoy enviou um ofício à juíza Caroline Figueiredo, substituta de Marcelo Bretas na 7; Vara Criminal Federal do Rio, que, até a noite de ontem, não havia tomado uma decisão. No documento, Ungaretti pede autorização para que Temer seja levado de forma imediata à sala de Estado-Maior do Comando de Policiamento de Choque da PM paulista.

Enquanto Caroline Figueiredo não tomar uma decisão, Temer permanecerá preso na sede da Polícia Federal em São Paulo, onde se apresentou na tarde da última quinta-feira. Na primeira noite na prisão, ele ficou em uma sala de reuniões do 9; andar. Uma cama de solteiro foi levada para o cômodo para que o ex-presidente pudesse dormir. O espaço, no entanto, não tinha banheiro, o que forçou o emedebista a deixar a sala sempre que tivesse necessidade de usar o toalete.

Por conta disso, ontem Temer foi colocado em outra sala, que conta com um banheiro privativo. O cômodo ainda foi adaptado com a mesma cama de solteiro em que ele passou a noite de quinta-feira e com um frigobar. ;Isso não é só porque é um ex-presidente. Quero deixar claro que não estamos falando de privilégio. Estamos falando de assegurar aquilo que deve ser assegurado, em termos de privacidade, de preservação de intimidade para qualquer pessoa presa;, disse o advogado de Temer, Eduardo Carnelós.

Ex-ministro da Secretaria de Governo de Temer, Carlos Marun visitou o emedebista na tarde de ontem, na condição de advogado. Nas palavras dele, a prisão do ex-presidente é injusta. A reclusão de Temer vai durar, pelo menos, até terça-feira, dia em que o colegiado da 6; Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) vai apreciar o pedido de habeas corpus da defesa do ex-presidente.

Cautela

O relator do caso é o ministro Antonio Saldanha, que definirá, com os ministros Sebastião Reis, Rogério Schietti, Nefi Cordeiro e Laurita Vaz se mantem ou não Temer na prisão. Caso a solicitação não seja aceita, os advogados do emedebista terão a opção de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Eduardo Carnelós, contudo, prefere manter cautela. ;Não vamos impetrar no STF antes da apreciação de terça-feira. Temer mostra a indignação própria de quem é vítima de injustiça, mas tem uma característica forte na personalidade, que é a da serenidade. Ele confia no Poder Judiciário. Lamentavelmente, às vezes, é necessário transpor degraus para obter uma solução justa;, afirmou o advogado.

Temer é acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de ser o chefe de uma organização criminosa que, ao longo de décadas, teria movimentado R$ 1,8 bilhão em propina da Usina de Angra 3. Ele voltou à prisão depois de a 1; Turma do Tribunal Regional Federal da 2; Região (TRF-2) votar pela revogação do habeas corpus que o havia libertado em 21 de março, quando ele foi preso na Operação Descontaminação.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação