Inflação de 0,57% é a maior para abril

Inflação de 0,57% é a maior para abril

» Cláudia Dianni » Gabriela Tunes*
postado em 11/05/2019 00:00
 (foto: Gabriela Tunes/Esp.CB/D.A Press)
(foto: Gabriela Tunes/Esp.CB/D.A Press)


A inflação de abril foi de 0,57%, de acordo com Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado ontem pelo pelo IBGE. O reajuste anual dos remédios, de 2,25%, que começou a valer a partir de 31 de março, foi a maior pressão sobre os preços, mas também contribuíram, o aumento dos preços da gasolina e das passagens aéreas. O índice ficou abaixo do de março (0,75%), mas é o maior para meses de abril desde 2016, de 0,61%.

A variação acumulada no ano está em 2,09% e nos últimos 12 meses, em 4,94%, acima da meta central de inflação estipulada pelo governo para 2019, que de 4,25%. Segundo o IBGE, esse é o maior índice para o período de 12 meses desde janeiro de 2017 (5,35%).

Segundo o IBGE, o reajuste dos remédios atingiu todas as classes desses produtos. Com os aumentos nos itens higiene pessoal (2,76%) e plano de saúde (0,80%), o grupo Saúde e cuidados pessoais foi o que registrou a maior inflação do mês (1,51%).

Transportes foi a segunda principal causa na variação no IPCA, com reajuste de 0,94% no mês, principalmente devido ao aumento no preço da gasolina que ficou, em média, 2,66% mais cara, sendo o principal impacto individual no índice de abril. Também contribuíram a alta nos preços das passagens aéreas (5,32%) e dos ônibus urbanos (0,74%), reajustados em Goiânia, Salvador, Porto Alegre, Recife e Curitiba. Influenciou o grupo, ainda, o reajuste de 27,30% dos trens, em Porto Alegre, e de 6,98% do metrô, no Rio de Janeiro.

Houve redução nos preços dos alimentos de março para abril (de 1,37% para 0,63%), com queda nos preços do feijão-carioca (-9,09%) e das frutas (-0,71), mas aumentou os preços de alguns produtos, como tomate (28,64%), frango inteiro (3,32%) e cebola (8,62%).



Retorno baixo

Motorista de Uber, Wilson Machado, 26, depende da gasolina para manter o emprego. ;A gente consegue arrecadar o que precisa durante o dia, mas o preço da gasolina atrapalha muito;, disse. Como os gastos mensais com combustível que variam entre R$ 800 a R$ 1.000, ele pretende parar com o serviço. ;Tenho outro emprego e faço Uber só para complementar a renda. Pretendo parar. Está muito caro e acaba não valendo a pena;, disse. Como precisa da gasolina, ele faz corte de gastos para conseguir bancar. ;Evito o máximo gastar na rua para não ter prejuízo;, explicou.

A professora Maria Luíza, 68, não sentiu a queda nos preços dos alimentos em abril. ;Em um país onde a política é feita de corrupção, não tem muito o que esperar;, disse. O que ela mais consome são frutas e verduras, porém, percebeu aumento no preço de tudo. Como mora sozinha, compra só o necessário. ;Gasto cerca de R$ 300 a R$ 400 mensais com frutas e verduras. É caro, mas ainda dentro do meu orçamento;, disse.

A aposentada Maristela Matias percebeu aumento no preço das carnes. Às vezes, ela prefere trocar o alimento pelo frango ou pelo ovo. ;Eu acho um absurdo, porque a gente, cada dia que vem ao mercado, vê um preço diferente;, reclamou. A aposentada costuma comprar sempre no mesmo local, mas busca dias de promoção. ;Temos que poupar. Os valores estão sempre mudando;, disse.

* Estagiária sob supervisão de Cláudia Dianni

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