Visto, lido e ouvido

Visto, lido e ouvido

Desde 1960

Circe Cunha (interina) / circecunha.df@dabr.com.br
postado em 11/05/2019 00:00
O purgatório da Igreja

Abusos sexuais, pedofilia, estupro e outras aberrações sempre existiram em instituições, sejam religiosas, sejam pagãs, desde que o mundo existe. Impulsos, taras e desvios sexuais sempre se mostraram mais fortes do que qualquer instituição, lei ou obrigação humana. Parecem a um comportamento que se confunde ao dos seres irracionais, que agem movidos pelo instinto de sobrevivência ou de preservação.

Regras, punições e ameaças, nada detém esses impulsos. Com a Igreja Católica, não tem sido diferente. Os volumosos e rumorosos casos de abusos sexuais que vieram à tona, a partir do fim da década de 1970, apesar de revelarem uma pequena parte dessa história de horrores que, supostamente, ocorre há séculos dentro de igrejas, mosteiros, orfanatos, internatos e outros lugares, são uma amostra real de que eles sempre existiram, sob o manto de um silêncio que se diz sagrado.

Encarar o gigantesco desafio de abrir ao conhecimento do público e principalmente dos fiéis essa torrente de comportamentos repugnantes e criminosos que contaminam a Igreja, pode servir de combustível para implodir internamente a própria instituição e destruir um trabalho de mais de dois mil anos na propagação do cristianismo. As descrições dos desvios de comportamentos que a Igreja assinalaria como grande pecado, estão por toda a parte, em depoimentos, livros, filmes, muitos dos quais premiados pela crítica. Eles mostram o enorme desafio posto diante do papa Francisco para salvar, livrar e separar a parte boa da Igreja do restante que parece estar irremediavelmente perdida.

De fato, nunca antes na história da Igreja houve escândalo dessa magnitude e que parece estar presente, simultaneamente, em diversos continentes e com os mesmos padrões de comportamentos, envolvendo centenas de clérigos dos mais diversos estamentos da hierarquia da igreja. O que se sabe agora é que grande parte dos abusos jamais chegarão ao conhecimento do grande público, pois ocorreram em épocas remotas, quando o poder da Igreja sobre a sociedade e até sobre os reis era grande e o silêncio era regra.

É preciso destacar, no entanto, que esse tipo de prática condenável está presente não apenas na Igreja Católica, mas em praticamente todas as outras instituições religiosas, o que mostra que essa não é propriamente uma condição natural da Igreja em si, mas de parte de seus membros. Onde quer que atue o ser humano, suas impressões e pegadas, para o bem e para mal, ali estarão impressas também. Mesmo antes de assumir a cadeira de Pedro, Francisco tinha uma noção de que esse seria, ao lado da perda paulatina de fiéis para outras confissões religiosas, o grande desafio de seu pontificado.

Em fevereiro deste ano, o papa convocou uma conferência global extraordinária em Roma, para tratar esse assunto espinhoso com os bispos. O santo padre, com seu conhecimento da máquina da igreja, a essa altura, tem a convicção íntima de que o tema, por seu teor explosivo para a instituição milenar, continuaria a sofrer resistências dentro da própria máquina burocrática da Igreja, avessa, desde sempre, a tumultos e bisbilhotices mundanas.

As recorrentes acusações de que a Igreja vem, há muito, acobertando esses crimes, são outro grande desafio para Francisco. O papa deve reconhecer que alasdentro da Igreja se posicionarão incondicionalmente a seu lado, nem que para isso tenha de cortar na carne a parte podre da instituição. Sabe também que é um desafio esmagador para alguém com mais de 80 anos de vida.

Sobretudo, ele reconhece que, diante dos relatos públicos e em todo o mundo desses abusos, muitos dos quais colocados sob os cuidados da Justiça de vários países, precisam de uma resposta interna e de providências duríssimas, sob pena de manchar, de forma profunda, sua administração.


A frase que foi pronunciada

;Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou.;
Magalhães Pinto, advogado, economista, banqueiro e político brasileiro


Herói nacional
; Só entre 2011 e 2014, o prejuízo da Petrobras com a corrupção chegou a R$ 89,5 bilhões. Pedro Parente, funcionário de carreira, foi chamado às pressas para recuperar o caixa. Hoje, a estatal fecha o caixa com R$ 29 bilhões de lucro.


Alerta
; Diante dos problemas da Venezuela, os casos de paralisia flácida aguda (PFA) não ocupam lugar de destaque nas preocupações do governo. O alerta da Sociedade Brasileira de Pediatria foi dado a partir da divulgação da Sociedade Venezuelana de Saúde Pública, sobre o caso entre a etnia Warao, do município de Tucupita.


Abusivos
; Disse o advogado Mario Rodrigues de Lima que se o ;Estado estiver disposto a adotar um ato administrativo, e tal vontade se chocar com o interesse de um particular, o Estado sempre se beneficiará de condição de supremacia, sendo certo, então, que seu interesse irá se sobrepor em relação ao interesse do agente privado;. Basta ver a intromissão do Estado na transferência de imóveis entre particulares. A arrecadação do ITBI ou ITCD se dá sem nenhuma contribuição da parte do Estado na construção do patrimônio. Diz-se apenas pelo termo ;transmissão; que foi empregado no texto constitucional e define a partir daí, a competência impositiva municipal ou distrital;.


História de Brasília
Vai mal, o ensino no Rio. Dois mil e quinhentos candidatas concorrerão a 70 vagas no Instituto de Educação. (Publicado em 19/11/1961)


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