Fronteira reaberta com o Brasil

Fronteira reaberta com o Brasil

Depois de quase três meses, o governo chavista anuncia a normalização da passagem com Roraima. Governo Bolsonaro se soma aos governos que condenam a prisão do braço-direito do presidente interino Juan Guaidó

postado em 11/05/2019 00:00
 (foto: Marvin Recinos/AFP





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(foto: Marvin Recinos/AFP )


No mesmo dia em que anunciou a reabertura da fronteira com o Brasil, fechada desde fevereiro, o governo da Venezuela enviou para uma prisão militar o vice-presidente da Assembleia Nacional, Edgar Zambrano, por sua participação no fracassado levante militar convocado por Juan Guaidó, proclamado pela oposição como ;presidente encarregado;, contra o presidente chavista Nicolás Maduro, em 30 de abril. Zambrano, contra quem a Justiça decretou prisão preventiva, é um dos 10 deputados oposicionistas formalmente acusados de ;traição, conspiração e rebelião civil; pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ). Ao menos três deles estavam até ontem abrigados e embaixadas, e outro, Luis Florido, publicou nas redes sociais um vídeo no qual anuncia que se refugiou na Colômbia.

;As fronteiras com o Brasil (terrrestre) e com Aruba (marítima) são mais uma vez restauradas;, anunciou pela tevê estatal o vice-presidente Tareck El Aissami. Continuam fechadas as fronteiras com a Colômbia e as ilhas caribenhas de Bonaire e Curaçao, nas Antilhas Holandesas, ;até quando deixarem suas posições de hostilidade; para com o governo de Caracas. A medida de força tinha sido tomada às vésperas da tentativa frustrada de Guaidó de receber dos países vizinhos ajuda humanitária enviada do exterior, principalmente dos Estados Unidos. El Aissami não fez menção à reabertura da fronteira com a Colômbia, com quem o governo chavista mantém uma relação tensa, e a quem acusa de se alinhar com Washington na preparação de uma intervenção militar para depor Maduro.


O anúncio do vice-presidente venezuelano provocou um rápido aumento no tráfego de veículos na estrada que leva à cidade brasileira de Pacaraima, em Roraima, primeiro destino de milhares de venezuelanos que migram para o Brasil para escapar da aguda crise econômica e social. O presidente Jair Bolsonaro elogiou a iniciativa do governo de Caracas. ;É uma medida inteligente da parte deles;, disse à imprensa, em Foz do Iguaçu, depois de lançar, com o colega Mario Abdo Benítez, a pedra fundamental da segunda ponte que ligará o Brasil ao Paraguai. Em visita à Europa, o chanceler Ernesto Araújo reiterou a abertura do país para receber os imigrantes, a despeito do impacto causado pela entrada de grandes contingentes. ;Eles são bem-vindos;, reiterou o ministro.

;Desespero;
Falando à imprensa em Varsóvia, depois de reunir-se com o colega polonês, Jacek Czaputowicz, o chanceler brasileiro manifestou ;preocupação; com a prisão de Zambrano, considerado o braço-direito do presidente interino ; reconhecido como tal pelo governo Bolsonaro e por mais de 50 países ;, e com o cerco do governo chavista aos parlamentares de oposição. ;Trata-se de um ato de desespero;, afirmou Araújo. ;Estamos muito preocupados com a repressão por parte do regime contra a oposição democrática, que não é mais oposição, é um governo legítimo;, arrematou. Também Bolsonaro considerou ;ilegal; a prisão do deputado.

O Grupo de Lima, formado por 12 países das Américas, inclusive o Brasil, repudiou ;a violação arbitrária da imunidade; dos parlamentares. A União Europeia denunciou a prisão de Zambrano como ;violação flagrante; da Constituição venezuelana. O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, exigiu a libertação ;imediata; do deputado. ;Este ataque à Assembleia Nacional deve servir como um alerta à região e ao mundo de que a ditadura não está interessada em soluções constitucionais para os problemas do povo venezuelano. Zambrano deve ser libertado imediatamente;, tuitou.

Os 10 parlamentares cuja prisão foi ordenada tiveram a imunidade suspensa pela Assembleia Constituinte, composta apenas por chavistas e instituída por Maduro para substituir o legislativo regular, controlado pela oposição desde a eleição de 2015.

No vídeo em que anunciou a fuga da Venezuela, Luis Florido explica que tomou a decisão depois de ouvir a opinião de aliados e colaboradores. ;Estou fora do país, na Colômbia, resguardado de um regime que está disposto a prender os deputados;, diz Florido na mensagem, postada no Twitter. ;Antes de sair, consultei muitos amigos e todos me disseram: ;Luis, não se deixe ser pego. Não dê esse troféu a um governo que quer a sua cabeça há muito tempo;.;

;Estamos muito preocupados com a repressão do regime contra a oposição democrática, que não é mais oposição, é um governo legítimo;

Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores do Brasil


Restauração da moeda
O revolucionário argentino-cubano Ernesto Che Guevara, o narcotraficante colombiano Pablo Escobar e a pintora feminista mexicana Frida Kahlo estão entre as personalidades que os artistas venezuelanos Javier Ceballos e Paula Villamzar (foto) escolheram para redecorar notas da moeda de seu país e vendê-las nas ruas da capital da Colômbia, Bogotá. Com seu valor quase pulverizado, as cédulas que ajudam a sustentar os imigrantes ganharam também versões com Diego Maradona, Bob Marley e Paul McCartney ; mas não de Nicolás Maduro. ;Não temos vontade de retratá-lo;, disse Javier.


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