Kim simula ataque e tensão volta à tona

Kim simula ataque e tensão volta à tona

Ditador ordena testes de ofensiva de longo alcance, horas após lançamento de mísseis. Seul critica ação de Pyongyang. Especialistas veem tentativa de forçar Trump ao diálogo

Rodrigo Craveiro
postado em 11/05/2019 00:00
 (foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)


Depois das imagens de Kim Jong-un apertando as mãos do norte-americano Donald Trump e do sul-coreano Moon Jae-in, cenas de guerra devolveram a tensão à Península Coreana. Com binóculos nas mãos, o ditador do regime comunista de Pyongyang supervisionou as ;simulações de ataque de longo alcance;, ontem, horas depois de Seul denunciar o lançamento de mísseis norte-coreanos de curto alcance. ;No posto de comando, o Líder Supremo Kim Jong-un aprendeu sobre um plano de teste de ataque com vários meios de longo alcance e deu a ordem para o início da simulação;, afirmou a agência KCNA, de Pyongyang, em inglês.

Moon e Trump expressaram reações opostas. ;Seja quais forem as intenções da Coreia do Norte, alertamos que esse ato poderia tornar as negociações mais difíceis;, disse o líder da Coreia do Sul, sem esconder a preocupação. Por sua vez, o norte-americano minimizou a importância dos testes militares. ;Eram mísseis pequenos, de curto alcance. Ninguém está contente com isso. (;) A relação continua. Mas vamos ver o que acontece. Sei que querem negociar, falam sobre isso. Mas não penso que estejam prontos para negociar;, afirmou Trump.

;A mobilização e ataque bem sucedidos, planejados para testar a habilidade de reação rápida das unidades de defesa (...) mostrou o poder destas unidades, que estavam totalmente preparadas para realizar de forma competente qualquer operação e combate;, anunciou a KCNA, que não utilizou os termos ;projétil;, ;míssil; ou ;foguete;.

Em entrevista ao Correio, Joshua Pollack ; especialista do Instituto de Estudos Internacionais de Middlebury, em Monterey (Califórnia) ; explicou que os testes da Coreia do Norte parecem ter envolvido artilharia de tubo, mísseis balísticos de alcance próximo e mísseis de curto alcance. ;Os norte-coreanos justificaram as manobras recentes como se fossem uma resposta à retomada dos exercícios militares conjuntos entre EUA e Coreia do Sul. Kim tinha se queixado das simulações durante discurso no começo do ano passado;, comentou o estudioso.

Para Pollack, Pyongyang pretende enviar uma mensagem de que possui cartas na manga, caso as pespectivas de diplomacia sejam tênues. ;Em abril, Kim disse a Trump que deu um prazo até o fim deste ano para que repense a questão das sanções financeiras. Embora o regime possa tomar outras medidas até lá, não creio que esteja pronto para reconsiderar o compromisso principal de evitar um retorno dos testes nucleares ou com mísseis.;

Diretor do Programa de Não Proliferação do Leste da Ásia, no Centro James Martin para Estudos de Não Proliferação, no mesmo instituto, Jeffrey Lewis disse não ter dúvidas de que os lançamentos de quinta-feira e de ontem envolveram mísseis de curto alcance. ;A Coreia do Norte busca aprimorar a capacidade bélica e pressionar Trump a retornar à mesa de negociações, deixando Pyongyang mais forte, caso não o faça;, alertou. Segundo ele, os testes das últimas 48 horas comprovam a confiabilidade de um novo míssil projetado para derrotar mísseis inimigos. ;Tal artefato também é capaz de fornecer carga útil com armas nucleares e de atingir alvos a até 400km de distância;, disse Lewis.

Eu acho...

;Não houve qualquer progresso na diplomacia, desde a cúpula intercoreana em Pyongyang, oito meses atrás. A Coreia do Sul não pode cumprir com promessas de cooperação econômica sem que haja alívio das sanções econômicas impostas ao Norte. Os Estados Unidos não permitirão esse desafogo a menos que Pyongyang desmantele por completo o seu programa nuclear. A Coreia do Norte não considerará tal decisão. Parece que ainda teremos muitos meses para encontrar um novo caminho, antes do retorno à confrontação, como ocorreu em 2017.;


Joshua Pollack, especialista do Instituto de Estudos Internacionais de Middlebury, em Monterey (Califórnia)

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação