Dono da Gol: "Caixa 2 para parlamentares"

Dono da Gol: "Caixa 2 para parlamentares"

» AUGUSTO FERNANDES » JORGE VASCONCELLOS
postado em 18/05/2019 00:00
 (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press - 23/1/17)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press - 23/1/17)



Em acordo de colaboração premiada estabelecido com o Ministério Público Federal (MPF), o empresário Henrique Constantino, um dos donos da companhia aérea Gol, garantiu que quatro empresas de aviação do país se uniram na criação de um fundo de caixa dois que beneficiaria oito parlamentares do Congresso Nacional em 2014. A mando da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) ; segundo ele ;, Avianca, Azul, Gol e Latam juntaram R$ 2,5 milhões para repassar a deputados federais e senadores. Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) é um dos acusados pelo empresário de integrar o esquema.

Segundo Constantino, o presidente da Abear, Eduardo Sanovicz, apresentou a proposta às companhias e explicou que o dinheiro seria utilizado para auxiliar a campanha dos políticos. Ele disse que empresas com nomes falsos teriam repassado o montante aos congressistas, que foram escolhidos por sua representatividade no Congresso. O presidente do MDB, Romero Jucá (RR), e o presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), também estariam envolvidos.

Constantino explicou que cada empresa repassou valores diferentes à Abear. A Gol, por exemplo, teria desembolsado aproximadamente R$ 800 mil. ;Todos os representantes presentes aprovaram a contribuição no valor total de R$ 2,5 milhões, cujo montante foi pago pelas empresas à associação, a título de contribuição extraordinária, na proporção de suas participações no mercado doméstico;, contou o empresário na delação.

Ele não soube dizer, no entanto, se as empresas obtiveram contrapartidas dos políticos pelos pagamentos, mas informou que também faziam parte da lista de supostos beneficiários do caixa dois os então deputados federais Otávio Leite (PSDB-RJ), Edinho Araújo (MDB-SP), Marco Maia (PT-RS), Bruno Araújo (PSDB-PE) e Vicente Cândido (PT-SP).

As informações constam de um trecho da homologação da delação, feita pelo juiz responsável pelo caso, Vallisney de Souza Oliveira, titular da 10; Vara Criminal da Justiça Federal do DF.

Citados negam

Por meio de nota oficial, a Abear afirmou desconhecer o conteúdo da delação premiada do empresário e negou ;veementemente que já tenha feito qualquer contribuição financeira a parlamentares, por meio de contratos fictícios, em seus sete anos de atividade;. ;A Abear reitera que está à disposição da Justiça e das autoridades competentes para prestar esclarecimentos a respeito;, comunicou o órgão.

A Latam, companhia que substituiu a TAM, respondeu que ;desconhece o fato e prestará esclarecimentos à Justiça, caso seja acionada;. A Azul disse ;desconhecer os fatos levantados pela reportagem;. Presidente do conselho administrativo da Avianca, José Efromovich declarou que ;desconhece totalmente a referida delação; e garantiu que ;nunca autorizou ; e jamais autorizaria ; a Abear a usar qualquer método ilícito, como caixa dois, para qualquer fim;. Já a Gol informou que ;Henrique Constantino não faz parte da administração da companhia desde julho de 2016, quando deixou o Conselho de Administração. A companhia esclarece que sempre esteve à disposição, cooperando com as autoridades;.

O deputado Rodrigo Maia afirmou que Constantino está mentindo e que esse será ;mais um; dos casos de investigação arquivada. ;Nunca tive relação com ele, nunca tive nenhum benefício deles;, frisou. Ele disse que não conhece o empresário e que vai dar explicações à Justiça com ;a maior tranquilidade do mundo;. ;Nunca falei com ele na minha vida;, destacou.

Parlamentares

A defesa de Marco Maia disse que o parlamentar não conhece Constantino e que ;aguardará o momento próprio para refutar as falsas acusações;. Por sua vez, Otávio Leite, atual secretário estadual de Turismo do Rio de Janeiro, assegurou nunca ter recebido dinheiro da Abear. Já Edinho Araújo ameaçou processar Constantino. ;Repudio com veemência a menção ao meu nome. Conheci Sanovicz na Câmara;, frisou.

Romero Jucá afirmou, por meio de sua defesa, que a acusação é flagrantemente inverídica e que as delações ;têm tentado promover uma indevida criminalização da atividade política;. A defesa do senador Ciro Nogueira também classificou os fatos como ;inverídicos; e acrescentou que a delação de Constantino busca uma ;indevida criminalização da política;. O ex-deputado Vicente Cândido igualmente negou o recebimento de caixa dois. O ex-deputado Bruno Araújo também assegurou que suas doações eleitorais foram legais.

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