FGV aponta queda de 0,1% no PIB

FGV aponta queda de 0,1% no PIB

postado em 18/05/2019 00:00
 (foto: Danilson Carvalho/CB/D.A Press - 4/8/15)
(foto: Danilson Carvalho/CB/D.A Press - 4/8/15)


Mais um indicador aponta que o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre será negativo. Ontem, o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) divulgou o Monitor do PIB com recuo de 0,1% de janeiro a março, ante os últimos três meses de 2018. Na comparação do primeiro trimestre com igual período de ano passado, a atividade cresceu 0,5%. Em março, houve retração de 0,4% ante fevereiro.

Para o coordenador do levantamento, Claudio Considera, os aspectos políticos, que emperram o andamento da reforma da Previdência no Congresso Nacional, são o principal peso sobre as incertezas que levaram à paralisia da economia no período. ;O comportamento político do governo causou confusão. O país está estressado. Todo dia tem confusão;, afirmou.

Na opinião dele, o quadro de ;compasso de espera; da economia não é novo, está desenhado há dois anos. A particularidade do cenário do primeiro trimestre é que ele tem um gosto de frustração, pois se segue o quadro de expectativas positivas após as eleições de outubro do ano passado ; os ativos negociados em Bolsa se valorizaram, a confiança avançou, lembrou. ;A equipe econômica é ótima, qualificada, todas as expectativas eram positivas e isso se inverteu em três meses;, disse Considera.

Se confirmada a retração em relação ao quarto trimestre de 2018, será a primeira queda no PIB após oito trimestres de avanços. ;Esse cenário é desanimador quando se constata que os oito trimestres anteriores não foram suficientes para estimular uma retomada significativa da economia após a recessão de 2014-2016;, disse coordenador da pesquisa.

O Ibre/FGV destacou ainda que, na leitura de março, foi a primeira vez desde novembro de 2017 que o Monitor do PIB apontou um crescimento acumulado em 12 meses abaixo de 1%, registrando avanço de 0,9% nessa comparação. ;Esses números refletem a incerteza política e econômica que tem efeito direto nos investimentos e impactam a evolução da atividade econômica, principalmente o setor industrial, comprometendo a retomada do emprego afetando o consumo das famílias;, explicou a FGV em nota.

Para Considera, ;precisa ter calma no país; para que os investimentos privados sejam retomados, não só na indústria, mas também na infraestrutura, atraindo capital internacional. Na visão do pesquisador, a recuperação cíclica da economia se dará via investimentos, que puxarão a produção industrial, os serviços e, aí sim, gerarão emprego e renda capazes de ampliar a demanda via consumo.

E esse investimento, segundo Considera, deve ser privado, pois os governos, em todas as esferas, estão quebrados e não há espaço fiscal para investimentos públicos. Nesse sentido, ;não faz nenhum sentido; uma nova rodada de cortes na taxa básica de juros (Selic, hoje em 6,5% ao ano) com o objetivo de estimular a demanda, disse.

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