Polêmica

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Depois de compartilhar texto que classifica o Brasil como %u201Cingovernável fora dos conchavos%u201D, Bolsonaro evita qualquer mea-culpa sobre o aumento da tensão com o Congresso

RODOLFO COSTA
postado em 19/05/2019 00:00
 (foto: Valter Campanato/Agência Brasil
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(foto: Valter Campanato/Agência Brasil )


O presidente Jair Bolsonaro continua trilhando o caminho de embate com o Congresso sem se eximir de qualquer culpa em relação ao mau relacionamento com o Congresso. Depois de ter compartilhado com amigos pelo WhatsApp na sexta-feira um texto que classifica o Brasil como ;ingovernável fora dos conchavos;, o chefe do Executivo federal minimizou ontem a situação sem fazer qualquer mea-culpa após ampliar a tensão com os parlamentares.

Na manhã de ontem, ao ser questionado pela imprensa em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro sugeriu que os jornalistas questionem o autor, Paulo Portinho, sobre a publicação compartilhada por ele. ;O texto? Pergunta para o autor. Eu apenas passei para meia dúzia de pessoas;, declarou, sem responder questionamentos do desconforto causado a líderes partidários. Lideranças acusam o presidente de continuar tratando-os como inimigos.

Vestindo camisa da Seleção Brasileira de futebol, com o número 17 e o sobrenome grafados, short e chinelo, Bolsonaro se dirigiu em seguida a crianças que o aguardavam na porta do Palácio. Abraçou várias delas e perguntou se elas o acham ;um cara legal; e se gostam dele. Durante cerca de 15 minutos em que ficou conversando com as crianças, disse que trabalha para ajudar as pessoas. ;Meu sonho de ser presidente é para ajudar o Brasil. Tem muita gente ruim no Brasil, sabia? Mas o bem sempre vence o mal;, declarou, dizendo, ainda, que ;uma coisa muito importante é a verdade.; A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, o acompanhou.

O presidente questionou, ainda, o que elas gostariam que ele fizesse para o Brasil e sugeriu que obedeçam ;primeiro papai e mamãe; e, depois, as professoras ;que ensinam coisas importantes, como português e tabuada;. O presidente tirou fotos com um grupo de crianças entre 4 a 12 anos da Escola Classe do SRIA, do Guará, que fazia um passeio em pontos turísticos pela cidade. Bolsonaro prometeu ir algum dia à escola para hastear a bandeira e cantar o Hino Nacional com elas. ;Ele está querendo ir. Disse que a assessora vai marcar;, afirmou a vice-diretora da instituição educacional, Cárita Alessandra Sá, responsável pelas 108 crianças que foram ao local em dois ônibus.

Multas
O encontro de Bolsonaro com as crianças foi acompanhado de perto pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno. Conselheiro do presidente, o general evitou comentar o texto compartilhado. Os ministros palacianos estão preocupados com o relacionamento entre governo e Congresso e trabalham junto ao presidente o aprimoramento do diálogo.

Uma estratégia do governo para sinalizar uma relação melhor foi tomada na sexta-feira, quando Bolsonaro sancionou projeto de lei que livra partidos políticos de multas acumuladas em cerca de R$ 70 milhões por não destinar o mínimo de 5% do Fundo Partidário para promover a participação política das mulheres, entre 2010 e 2018. A assinatura, no entanto, não convenceu os parlamentares, uma vez que o projeto vencia na sexta e estava para ser sancionado taticamente, ou seja, quando o presidente da República não decide 15 dias após ser enviado pelo Congresso.

Acesso a notas fiscais

A Justiça do Rio ampliou a quebra do sigilo fiscal e bancário do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e de seu ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz. A Receita também terá de encaminhar ao Ministério Público do Estado do Rio todas as notas fiscais de bens e serviços adquiridos entre 2007 e 2018 pelo senador, por Queiroz e por mais seis pessoas e uma empresa que já tinham tido o sigilo fiscal e bancários quebrados em decisão anterior da Justiça. A decisão foi tomada na última quarta-feira pelo juiz Flávio Itabaiana Nicolau, da 27.; Vara Criminal do TJRJ.

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