Malhar para se autoconhecer

Malhar para se autoconhecer

Mais que deixar o indivíduo em forma, praticar atividade física é uma ótima maneira de conhecer o corpo

postado em 19/05/2019 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)




Nem sempre ficar sarado ou perder peso são os principais objetivos de quem adere à prática de exercícios físicos. Além dos benefícios na estética e na saúde, muitos indivíduos buscam as atividades como uma forma de melhorar a sintonia entre o corpo e mente.

O personal trainer Anderson Bomfim explica que o fortalecimento dessa relação corpo-mente ocorre porque ao praticar uma atividade física, inconscientemente, o indivíduo começa a trabalhar a sua ;corporeidade;, que é a maneira como o cérebro reconhece e utiliza o corpo como instrumento de comunicação com o mundo.

;O indivíduo passa a desenvolver capacidades antes não observadas, a aperfeiçoar movimentos e a reconhecer e explorar seus limites. E isso não fica restrito apenas ao momento do exercício. Essa consciência começa a extrapolar para outros ambientes, como o trabalho e a família;, detalha.

Para a psicóloga Débora Porto, quando o ser humano se propõe a começar uma atividade física, ele altera a forma como passa a experienciar e a viver o corpo. ;O indivíduo começa a ter consciência de si mesmo, e do lugar no qual está inserido socialmente.;

Isso porque durante essas atividades o praticante precisa de altas doses de concentração para conseguir realizar os movimentos. ;É o momento de deixar de lado os problemas diários, focar em um grupo muscular específico para realizar o movimento e trabalhar o equilíbrio corporal e mental. Isso tudo contribui tanto para a consciência de si quanto para a sensação de bem-estar.;

Foi pensando em trabalhar essas questões que Alessandra Aguiar, 28 anos, começou a fazer meditação e ioga. Ao optar pelos exercícios que trabalham a respiração e a concentração, ela notou não apenas benefícios físicos, como também melhora nas suas relações, ajudando, inclusive, a controlar a impulsividade. ;Comecei a ter mais controle sobre minhas decisões e a pensar antes de fazer qualquer coisa. Sinto que me tornei uma pessoa mais calma e resiliente;, conta.

Além disso, Alessandra conta que o autoconhecimento corporal melhorou bastante. ;Você começa a realizar movimentos que achava que não conseguiria fazer, vai ganhando elasticidade. A alimentação também foi outro fator de mudança. Sinto que comecei a filtrar o que estou colocando no meu organismo, porque esses exercícios também envolvem toda essa questão de ;meu corpo, meu templo;. A sua relação com o seu corpo começa fazer mais sentido.;

Redescobertas
Henrique Cavalcanti, 33 anos, sempre foi adepto da musculação, até que um acidente o fez trocar de modalidade. Além da necessidade de fortalecer os músculos na fisioterapia, o empresário queria uma atividade que pudesse lhe trazer benefícios que tinha na musculação, como a força. Foi assim que acabou se descobrindo no pilates.

;Na primeira aula, você percebe que o que achava que sabia sobre o seu corpo era um equívoco. Percebi que, apesar de fazer exercícios há muitos anos, eu tinha movimentos encurtados. E, como o pilates traz exercícios de alongamento, senti dor na primeira aula;, relembra.

O empresário conta que a modalidade trouxe inúmeros benefícios, como melhora da postura e da respiração e fortalecimento dos músculos. ;Tenho mais ânimo para começar o dia, passei a querer me alimentar melhor, sem pressão de dieta, além de ter melhorado muito o meu sono.;

Mas o que mais chamou a atenção do empresário foi a melhora na concentração. ;Quando você entra na aula, automaticamente, deixa os problemas de lado e passa a se concentrar apenas em você e no exercício. Trago do estúdio muito mais paciência e, principalmente, consigo manter o foco em uma atividade por muito mais tempo que antes.;
E, como há males que vêm para o bem, Henrique orgulha-se de dizer que ressignificou o exercício físico no seu cotidiano. ;Não é mostrar que eu tenho um bom corpo, mas, sim, trabalhar o meu corpo para estar bem comigo mesmo.;

Confiança
O interesse de Úrsula Blass, 33 anos, pelo pole dance surgiu quando uma professora da academia que frequentava comentou que abriria um estúdio. A modalidade veio como um desafio, além de uma alternativa para fugir dos exercícios tradicionais. ;Eu já dançava zouk e via no pole dance uma possibilidade de melhorar a minha dança e de me trazer mais confiança. Quando fiz a aula experimental, eu gostei tanto que resolvi me matricular.;

Assim como em todo começo, se familiarizar como a barra e com os movimentos foi um processo. ;No início, machucava um pouco e eu ficava roxa, pois são movimentos novos em contato com a barra, mas, com o tempo, fui me acostumando.;

A publicitária conta que o pole dance foi uma importante ferramenta que a ajudou a explorar não apenas sua sensualidade e força, mas também a confiança. ;Quando percebi que a cada aula eu conseguia evoluir um pouco e superar alguns medos, fui tendo mais confiança, fui acreditando mais em mim. E o fato de eu saber que eu conseguia fazer movimentos que eu não imaginava foi me animando e também contribuindo para a minha confiança.;

Para Úrsula, a aula é um momento de trabalhar o autoconhecimento, os medos e os bloqueios ;Essa atividade trabalha esse lado de aceitação, de acreditar mais em si. Essa mudança interna ajudou na minha vida, nas minhas relações interpessoais.; E completa: ;É um momento de descoberta, de se superar a cada aula;.

*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte



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