Na alegria e na tristeza

Na alegria e na tristeza

Seja fazendo comédia, seja em dramas, ator Gabriel Godoy se destaca como um dos mais versáteis da geração dele

Vinicius Nader
postado em 19/05/2019 00:00
 (foto: Edu Porto/Divulgação)
(foto: Edu Porto/Divulgação)


Aos 35 anos, Gabriel Godoy se firma como um dos mais versáteis atores da geração dele. Atualmente, pode ser visto na Globo em duas atrações: como o atrapalhado Galdino da leve Verão 90 e como Leandro, marido que não compreende a dor da esposa, vítima de um médico na contundente Assédio. A versatilidade de Gabriel também aparece nos veículos em que ele aparece, como as séries Homens?, do Comedy Central, O negócio, da HBO, e Além da ilha, no GloboPlay.

Em entrevista ao Correio, Gabriel fala dos papéis que já viveu, dos motivos que o levam a um personagem, do mercado de trabalho para o ator e, a partir de uma comédia, reflete: ;Se assumir machista é o primeiro passo; para lutar contra isso. Confira os principais trechos da entrevista!

Entrevista / Gabriel Godoy

O Galdino é seu terceiro papel cômico em novelas. Em outros formatos, como a série Assédio ou o filme Os 3, você fez personagens dramáticos. Tem medo de que a TV aberta te engesse para o grande público como um ator cômico ou apenas intérprete de malandros?
A TV aberta costuma rotular, sim. Mas não tenho medo com relação a isso, pois vai muito do ator buscar novos desafios.

O humor nas novelas acaba te levando a papéis coadjuvantes. Sente falta de um protagonista na tevê?
Eu gosto de bons personagens em boas histórias. Sou muito grato a todos os trabalhos que venho fazendo. É muito difícil ser artista no Brasil. Não posso reclamar de nada. Sinto que todos esses trabalhos que venho fazendo nos últimos anos só me deram mais ferramentas e maturidade artística.

Você está em Assédio e Além da ilha, duas produções de streaming, na série O negócio e na atual Homens?, da TV fechada. Acha que a qualidade das produções de séries de streaming e TV fechada no Brasil está melhorando?
Sim. Melhorando e crescendo cada vez mais. No atual governo, onde não vemos incentivo à cultura (cinema e teatro) os streamings serão a salvação do mercado.

Como encara esse novo mercado? Para o ator, tem diferença em estar numa novela ou numa produção fechada?
São públicos diferentes. A novela todo mundo vê, querendo ou não, pois às vezes você está em um restaurante e a novela está passando. Está aguardando em um consultório e a novela está passando. Não tem saída. (risos). Mas, ao mesmo tempo, depois de uma semana que acabou, o público já esquece, pois vem outra em seguida. O público de série, quando gosta, fideliza e torce por uma próxima temporada. Percebo pela HBO, onde fiz quatro temporadas de O negócio, até hoje sou parado pelo público da série.

Em Homens?, o texto se utiliza do humor para falar sobre machismo. Usar da comédia em temas árduos é uma saída para ser escutado por mais gente?
Existem diversas possibilidades de provocar, promover debates e reflexões. Na minha opinião, não existe a mais fácil ou a mais difícil. Existem formas. E aí vai da qualidade do projeto conseguir acessar o espectador. Isso é o mais importante. Temos sempre que pensar no público, na minha opinião.

Fazer as séries Assédio e Homens? te alertou para alguma atitude que você tinha e não percebia ser machista?
Com certeza, pois você mergulha nesse universo e nessas questões e aos poucos vai se identificando e percebendo. Eu tenho 35 anos e, com certeza, trago o machismo nas minhas células, devido a minha geração e minha criação. Penso que se assumir machista é o primeiro passo. E a partir disso ter uma busca sempre. Se investigar, se trabalhar para sempre evoluir. Se assumir imperfeito e buscar com humildade o autoconhecimento.






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