Próximo Capítulo

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Adriana Izel e Vinicius Nader http:/blogs.correiobraziliense.com.br/proximocapitulo/
postado em 19/05/2019 00:00
 (foto: Globo/Imprensa)
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O sétimo guardião: a pior de um dos melhores


Quando o novelista Aguinaldo Silva terminou de escrever O sétimo guardião, em 4 de maio, ele se perguntou no Twitter: ;Vai valer a pena ter sobrevivido?;. Sobreviver sempre valerá, Aguinaldo. Mas fica a dúvida: valeu a pena ter perdido tempo assistindo a O sétimo guardião?

Não tenho o menor medo de cravar: essa foi a pior novela de Aguinaldo desde Suave veneno (1999). O sétimo guardião marcou a volta do autor ao realismo fantástico. Acho que talvez esteja aí o grande problema: foi um ser do além que assinou o texto do folhetim cujo capítulo final foi exibido na última sexta-feira, com reprise ontem. Só isso explicaria o fato de essa novela ter saído da mesma cabeça ; e da mesma máquina de escrever ou computador ; de Vale tudo (1988), Tieta (1989) e Senhora do destino (2004), só para ficar em alguns sucessos de Aguinaldo.

O fracasso de O sétimo guardião é de público e de crítica ; difícil isso acontecer, recentemente ; tem um tripé que o sustenta: a trama, o texto e os personagens. A trama dos guardiões (ou guardiães, como prefere o autor, adotando uma forma igualmente correta) de uma fonte de água mística renderia uma minissérie ou uma série. E seria boa! Por que estender isso por mais de 200 capítulos?

O bom texto, marcado por muita ironia e sofisticação, sempre foi uma marca de Aguinaldo Silva. Salvou tramas, como Fina estampa (2011), que tinha o roteiro frágil, mas acabou decolando. E deu o tom delicioso da já citada Tieta. Mas faltou inspiração para que isso se repetisse em O sétimo guardião. Alguns personagens, como Olavo (Tony Ramos), Valentina (Lília Cabral) e Mirtes (Elizabeth Savalla) tiveram bons momentos, mas a inconstância foi muito grande.

Só não foi maior do que a desconstrução ; para não dizer fragilidade ; dos personagens. Parecia até a última temporada de Game of thrones! Teve megera virando boazinha, mocinha lutadora perdendo o propósito e achando de novo, justiceiro se apaixonando pela vilã e, claro, achando que a regenerou...

O elenco resistiu bravamente à provação de estar ali. Alguns, como Elizabeth Savalla, Ana Beatriz Nogueira (a guardiã Ondina), Isabela Garcia (Judith) e Ailton Graça (o padre e guardião Ramiro), se destacaram pelo talento já conhecido. Outros nos surpreenderam, como Nany People (correta como Marcos Paulo) e Theodoro Cochrane (perfeito, mas como um texto às vezes relaxado demais, como Adamastor).

A lista de decepções é bem maior ; encabeçam os protagonistas Bruno Gagliasso e Marina Ruy Barbosa (ano sabático para a ruivinha já). Nem nomes tarimbados como Dan Stulbach (o prefeito Eurico), Letícia Spiller (Marilda) e Marcelo Serrado (completamente desperdiçado como Nicolau) renderam o quanto poderiam. O que dizer de gente com menos tempo de carreira, como Yanna Lavigne (Laura)? Saudades mesmo vai deixar o gato León!




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