Crônica da Revista

Crônica da Revista

Maria Paula mariapaula.df@dabr.com.br
postado em 19/05/2019 00:00


O poder da arte

Sempre fui uma grande admiradora das artes. A consciência de que a criatividade pode ampliar imensamente nosso repertório humano guiou meus passos desde que me entendo por gente!

Desde as artes mais convencionais, como a cênica, a literatura, as artes plásticas, a música, a dança, passando pelas atividades cotidianas, que, quando feitas com amor, tornam-se arte culinária, costura, moda, arquitetura e por aí vai... Até as menos convencionais, como a arte da escuta, da presença e até da adivinhação!

Quando a realidade se manifesta de forma ameaçadora, opressora, desesperante, é invariavelmente por meio da arte que encontramos saídas para nos libertar dos lugares sombrios que se insinuam sobre nós!

Pois agora tenho o prazer de convidar o amigo leitor a viver uma experiência libertadora: Hoje, às 19h, no Espaço Cultural Renato Russo, o espetáculo Teus olhos, meus versos, do grupo IMPAR Dança-Teatro, promete arrebatar corações e mentes com arte na veia dos espectadores!

Em tempos de desamor e de relações vazias, descartáveis e tóxicas, falar de amor é quase inovador.

A obra Teus olhos, meus versos revela de forma poética a presença e a extinção do tato e do trato nas relações humanas. Traz para a cena o trabalho de pesquisa corporal que reuniu vivências e experiências dos intérpretes, lapidando-as para compor essa obra. O espetáculo conta poesias corporais e escritas. Trata-se de reflexos das condutas dentro de relacionamentos dos mais variados tipos. É sobre relação! É sobre como compreendê-las ou não. Relações que não se limitam ao amor passional.

Com forte influência de músicas brasileiras e contribuições de versos poéticos, o espetáculo traz cenas de relacionamentos que poderiam ser protagonizados por qualquer pessoa. Aborda o clichê e o que é silenciado, colocando em questão o óbvio. Traz as tensões e as melancolias, o egoísmo e a dependência, a razão e a emoção...

Será que as compreensões sobre esse universo são compatíveis com a realidade? Até que ponto?

;Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente.; Essa bela frase de Clarice Lispector serve como bússola aos corajosos que ousam se jogar nas águas da vida!

Bom espetáculo!




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