Crítica / Mormaço ***

Crítica / Mormaço ***

Ricardo Daehn
postado em 24/05/2019 00:00
 (foto: Glauco Firpo/Divulgação)
(foto: Glauco Firpo/Divulgação)
A causa secreta
Há uma incômoda similaridade entre o primeiro longa-metragem solo dirigido por Marina Meliande, Mormaço (que mantém parte da habitual parceria com Felipe Bragança), e trechos das fitas de Kleber Mendonça (Aquarius e O som ao redor).

Incomoda, antes de mais nada, por causa do peso da sensação de desalojamento do indivíduo, do eterno compasso de espera para segmentos menos beneficiados, e pela truculência das decisões verticais operadas via poderio econômico.

Bem mais maduro do que realizações como A alegria (2010), o cinema de Marina chega mais objetivo, com teor de resistência e também, imprevisível.

No longa, Marina Provenzzano dá vida à protagonista Ana, defensora pública compromissada com moradores da Vila Autódromo, ameaçada de ser esvaziada, dados os planos da instalação da Vila Olímpica, para os eventos do ano de 2016 no Rio de Janeiro, com respaldo de progresso para brasileiros e cariocas.

Forças superiores ; entre as quais o breve interesse amoroso de Ana, Pedro (Pedro Gracindo), destacado para intermediar o caso ; querem a saída de pessoas como Dona Rosa (Analú Prestes) e Domingas (Sandra Souza, atriz ocasional, saída do cotidiano descrito no filme).

Com um quê sobrenatural, Mormaço se mostra provocativo e consegue abordar, com narrativa jovial, questões pertinentes ao nosso tempo, como a falta de debate, o apego à ideologia de Ana e a abordagem feminista por meio do olhar de uma mulher esclarecida.

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