360 Graus

360 Graus

Jane Godoy %u2022 janegodoy.df@dabr.com.br
postado em 24/05/2019 00:00
O Brasil ;ficou pequeno; para ele
Filho de baianos, de onde se origina toda a família dele, o soteropolitano Gutembergue Silva Oliveira assistiu à partida dos avós, que vieram para Brasília atraídos pela construção da nova capital. ;Quando tinha apenas dois anos, minha mãe, Nadir, se mudou para Brasília. Aqui me criei e vivi. Morei em outros países como Inglaterra, França, Equador e Bolívia onde estudei odontologia. Mas sempre retornei para a capital federal;, relata.

Sempre muito inquieto, ;meio elétrico;, Gutembergue não concluiu o curso de odontologia, que estudava em Sucre, capital oficial da Bolívia, dando lugar ao curso de letras.

;Minha migração da educação para a cozinha é uma longa história! Como cresci vendo minha mãe cozinhar bem e com maestria, aprendi, de tanto ver em minha casa; mesas lindas, adornadas com as flores maria-sem-vergonha, rosas vermelhas e até folhagens. As mesas eram sempre lindas, assim como os pratos de bacalhau na Páscoa, bolos vienenses de chocolate e nozes, galinhas, carnes assadas e bolos de carimã e mandioca, que nunca comi igual;, elogia.

Gute, como é chamado, confessa que foi criado em meio às especiarias e cheirinhos de boa comida e de doces. ;Minha mãe era tão boa nisso, que comprou sua primeira casa com um doce de leite que só ela sabia fazer (derretia na boca). Eu sempre acordava às 2h, com cheiro de bolinho de chuva e café. Um dia, diante das adversidades e com quatro irmãos para criar, resolvi cozinhar com meus irmãos;, emociona-se.

Começo solitário
;Comecei sozinho. Assistia a programas de tevê, lia muitos livros, treinava e me lembrava de como minha mãe e minhas tias faziam;, revela. Depois, ele começou a fazer cursos: ;Fiz Cordon Bleu na UnB (curso avulso) e resolvi ir para Paris para me aprimorar. Mas me considero autodidata. Um dom que herdei de minha família;.

Gute, já em Brasília, com uma vasta carteira de clientes, continuava pensando em se mudar para Paris. ;Quem me conhece sabe que Paris é a minha cidade favorita no mundo mas por motivos econômicos, os Estados Unidos foram a melhor escolha; conta. Foi aí que ele se decidiu, com convicção e certeza do que queria, e se mudou do Brasil. Um sonho antigo e, como ele confessa, ;a situação econômica ruim ajudou. Eu não tinha mais para onde crescer;, garante.

Em 2016, lá se foi ele, com o companheiro Thiago e o cão Duke Wilson rumo ao grande desafio de viver em Miami. ;Sou uma pessoa abençoada e tenho um dom: conquistar pessoas. Até de longe todos de Brasília me honram. E hoje já existe um #melhorchefdemiami. Sou famoso aqui em Miami;, assegura Gute, com uma sonora e conhecida gargalhada. Comparando, trabalhar com gastronomia em Brasília e em Miami, Gutemberg garante que lá, ele tem tudo com mais qualidade e facilidade, desde os ingredientes aos utensílios de cozinha.

Público internacional
;Atendo americanos, hispanos, russos e, principalmente, aos meus compatriotas brasileiros (tanto aos que vivem aqui quanto aos que vêm só de férias). Os eventos aqui são mais intimistas. Não há o exagero do Brasil: 500 mil convidados, caminhos de flores e muita comida;, brinca.

Mesmo assim, em sua carta de clientes Gute tem feito eventos para grandes grifes, casamentos e comemorações de aniversários. Só que, curiosamente não há ostentação, pompa e circunstância. A novidade do momento, para tristeza de seus conterrâneos, é que o baiano vai se tornar, de verdade, um americano, que comanda as delícias dos mais ecléticos cardápios. Pleiteando e já conseguindo o green card, Gutemberg estará, daqui para a frente, trabalhando em território americano, exatamente como tal. ;Brasil, agora, só para visitar. Matar as saudades dos amigos, do ar, das paisagens, da nossa Brasília;.

2016
Ano que Gute se mudou para Miami

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação