Convocação não fura bolha governista

Convocação não fura bolha governista

» Renato Souza
postado em 26/05/2019 00:00
 (foto: Nelson Almeida/AFP - 15/5/19)
(foto: Nelson Almeida/AFP - 15/5/19)


Desde a campanha eleitoral do ano passado, as redes sociais ganharam protagonismo e relevância no debate político. Apontadas como as responsáveis pela vitória nas urnas do presidente Jair Bolsonaro, redes como o Twitter, Facebook e WhatsApp são usadas para convocar os protestos pró-governo que estão marcados para hoje em mais de 370 cidades pelo país. O ato divide até mesmo grupos que apoiavam o capitão reformado. Enquanto políticos como Major Olímpio e Carla Zambelli chamam os manifestantes para irem às ruas, grupos como o Movimento Brasil Livre (MBL) e a deputada paulista Janaína Paschoal dizem que o movimento não faz sentido.

Um estudo realizado pela consultoria Levels, a pedido do Correio, revela quem são os maiores influenciadores nos dois lados no Twitter, e demonstra que a mobilização não conseguiu furar a bolha governista, que já era responsável pelo apoio ao presidente desde o começo do ano. As mensagens analisadas foram registradas por meio de hashtags criadas pelos próprios usuários para fazer referência ao ato.

Em 17 de abril, foram analisadas 373.688 mensagens no Twitter. Deste total, 82% eram de opositores, que apontavam a fragilidade do governo após o presidente compartilhar um texto, via WhatsApp, em que cita ;um país ingovernável; por causa de ;conchavos;. Os apoiadores do presidente Bolsonaro representavam 18% do total. A atitude do presidente gerou rápida resposta da oposição, que já se encontrava organizada pelos protestos do dia 15 nas cidades brasileiras.

No dia 20, houve uma reação da rede governista no microblog. De 277 mil tuítes avaliados, 84,9% eram de apoio ao governo e em convocação para a manifestação de hoje. A oposição representava 15,1% da totalidade. O monitoramento das atividades virtuais sobre o protesto pró-Bolsonaro ocorreu entre os dias 17 e 23 e analisou 441 mil mensagens.

O levantamento aponta que a quantidade de mensagens em apoio ao presidente não difere do registrado desde janeiro deste ano, sinal de que não houve o impacto sobre usuários que estavam de fora do debate político. No entanto, foi possível notar que o presidente continua com forte apoio dos internautas que integram grupos de direita. Das 400 mil mensagens analisadas, apenas 0,58% foram de grupos que se alinham ao governo desde janeiro, foram contra o ato de hoje. A oposição foi responsável por 6,55% das mensagens contrárias ao protesto na rede analisada.

Influenciadores

Entre os perfis favoráveis aos protestos, o maior influenciador é o próprio Bolsonaro. Em seguida, entre os políticos com maior poder de influência, aparece a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), que recebeu 11.981 retuítes nas mensagens sobre a manifestação.

No lado contrário à manifestação, a deputada Jandira Feghali (PSOL-RJ) é forte influenciadora no Twitter. Ela recebeu 630 retuítes em suas mensagens. O perfil do PT Brasil teve alcance elevado, com 174 retuítes. Tem lugar de destaque nas mensagens contrárias ao ato, a deputada estadual paulista Janaína Paschoal (PSL), com 221 compartilhamentos e o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), que teve 146.



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