Quando o agressor enfrenta a Justiça

Quando o agressor enfrenta a Justiça

postado em 26/05/2019 00:00
Mais de um ano e quatro meses se passaram até que o autor de um dos 29 feminicídios de 2018 fosse levado a júri popular. Alessandro Ferreira Floriano, 48 anos, foi condenado por homicídio qualificado, destruição de cadáver e fraude processual a 22 anos e quatro meses de prisão em regime fechado e dois anos em semiaberto. Ainda cabe recurso, mas ele não poderá responder em liberdade.

O crime aconteceu em janeiro do ano passado, quando ele empurrou Isa Mara Dantas Longuinho Floriano, 51, de uma escada, depois escondeu o corpo à beira de uma estrada nas proximidades de Alexânia, município goiano a cerca de 80km de Brasília. Por fim, ateou fogo no cadáver. Ele confessou depois que a perícia encontrou marcas de sangue nas paredes da residência. Os dois eram casados há 18 anos e ele nunca se deu bem com os parentes da companheira.

A decisão, dada na madrugada da última sexta-feira, é o julgamento mais recente em um caso de feminicídio. Durante a audiência, primos, sobrinhos e irmãos de Isa Mara lotaram o tribunal. Antes de entrar, na sessão, exibiam faixas pedindo justiça. Com lágrimas nos
olhos, ouviram o depoimento emocionado do pastor Geovan Bezerra, 56, que descrevia a ;irmã; como uma pessoa doce, generosa e dedicada: na Igreja, ela cuidava do coral das crianças. Para a família, a pena poderia ser maior. ;Todo tempo é pouco para ele, mas com certeza é um passo rumo a evitar que assassinos assim saiam impunes;, declarou a vendedora Andressa Longuinho, 22 anos, sobrinha da vítima.

Ela diz que Alessandro afastava a tia do convívio familiar. ;Ficávamos semanas sem vê-la;, recorda Andressa. ;É um homem frio e manipulador. Fingia estar doente, inventava que tinha câncer, sempre em um lugar diferente, para ela ter pena. Ela não o deixava porque tinha um coração muito bom.;

Ela relata ainda que Alessandro usava o cartão da mulher sem autorização. ;É viciado em jogos eletrônicos. No dia em que ele a matou, a discussão teria começado porque ela descobriu que ele comprou um videogame com o cartão dela. Era algo que ele fazia sempre;, relata.

Segundo a irmã da vítima, Isa Márcia Longuinho, 41, com tantas compras, ele deixou a mulher endividada. ;Destruiu a vida financeira da minha irmã. Ela era servidora pública, ganhava até bem, mas, por causa das compras irresponsáveis que ele fazia, ela devia mais de R$ 50 mil;, acusa.

Dias antes do assassinato, Isa Mara comentou com irmãos que queria deixar o marido. ;Ela andava muito triste. Acho que tinha descoberto que ele não tinha câncer nenhum;, conta. A pena dada ao réu está acima da média para casos semelhantes, que é de 19 anos, de acordo com levantamento do MPDFT.

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