Dificuldade no diálogo

Dificuldade no diálogo

postado em 26/05/2019 00:00
 (foto: Clara Lobo/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Clara Lobo/Esp. CB/D.A Press)

Raul Lima Vieira, 20 anos, cursa o 6; semestre de engenharia civil no Centro Universitário de Brasília (UniCeub) e está buscando estágio na área. ;Mando currículo para todas as vagas que vejo ou me mandam. Fico atento às diversas agências especializadas, como Ciee (Centro de Integração Empresa-Escola), Brasília Estágios, IF (Instituto Fecomércio) e Employer;, comenta. O estudante não costuma obter retorno sobre as oportunidades para as quais se candidata. ;Raramente recebo respostas. Chega a ser desanimador continuar tentando;, afirma. O estudante conta como monta o currículo.

;Eu costumo colocar algumas informações que considero básicas. Coisas como nome, idade, endereço, curso que faço, qualificações e conhecimentos sobre programas relevantes na minha área;, declara. Ele procura tomar cuidado com possíveis erros de português no currículo, pois acredita que seja um aspecto importante na hora da avaliação. ;A escrita é fundamental e deve estar bem-apresentada em qualquer documento;, diz. Até o momento, Raul foi chamado apenas para duas entrevistas e confessa que fica nervoso durante o processo. ;Costumo ficar tenso nesses momentos e acredito que isso pode atrapalhar meu desempenho nos encontros;, esclarece. ;Por nervosismo, eu acabo esquecendo algumas coisas que gostaria de falar. Então, não consigo passar todo o conhecimento que tenho para o entrevistador;, comenta.

O filtro de português: a redação

É muito comum que seleções de emprego e estágio tenham, como uma de suas fases, uma redação. O texto serve para medir os conhecimentos linguísticos (garantindo que o futuro funcionário não cometa nenhum erro de português vergonhoso) e a capacidade de articulação. Essa etapa tem se tornado frequente. E não é para menos: o professor de redação Gabriel Remington percebe que ;as pessoas têm cada vez mais dificuldade com português;. Então, acaba tornando-se a maneira de separar o joio do trigo. ;Podemos concordar que a linguagem falada é a mais importante e a mais fácil. Desde que a mensagem seja entendida pelo receptor, ela cumpre seu papel. A gramática serve para padronizar a língua e gera mais dificuldade;, afirma ele, que dá aulas no Colégio Marista João Paulo II.

;Durante um processo de contratação, a depender da empresa, coisas que consideramos mínimas podem fazer a diferença. Por exemplo, durante a entrevista ou por escrito, o candidato solta ;Fazem anos que não trabalho; (quando o correto seria ;faz anos que não trabalho;). Isso pode eliminá-lo, pois não demonstra domínio da língua;, alerta o graduado em letras pela Universidade Europeia do Atlântico e pós-graduado em metodologia do ensino da língua portuguesa pela Universidade Estácio de Sá. ;Em uma redação, pequenos erros, como os de pontuação, podem acarretar na não contratação do concorrente.; Para quem não aprendeu a dominar o português nos tempos de escola, Gabriel observa que o caminho para melhorar envolve disciplina e insistência para treinar. ;A melhor dica é: escreva bastante, peça para outros lerem e indicarem os erros;, observa.

Aprenda
O professor Gabriel Remington elenca os principais erros cometidos e dá dicas e exemplos de como fugir de gafes:

1. Erros ortográficos
Errar a escrita das palavras. Por exemplo, trocar a letra ;s; por ;c;. Para evitar, ler e escrever bastante.

2. Acentuação gráfica
Ocorre quando a pessoa não percebe que a palavra precisa de acento.

3.Erros de coesão
Quando o texto não tem conexão entre as ideias. É perceptível quando há muita repetição de palavras e ideias.

4. Erros de pontuação
O caso da vírgula é o principal, pois as pessoas se baseiam no mito da ;pausa para respiração;. Dominando o uso da vírgula, é mais fácil aprender os outros.

5. Regência
É o erro mais ligado à linguagem falada. Para evitar, é preciso estudar e treinar, principalmente no dia a dia, conectando escrita e fala.

6. Concordância
Muitas pessoas cometem esse erro, também por causa da fala. Por exemplo, quando não se sabe quando o termo deve estar no plural ou no singular. Mais uma vez, treinamento é a chave para evitar os erros.

A rede de apoio

Um erro fatal que pode minar as chances de conseguir emprego é não saber estabelecer um bom networking. Esse tipo de equívoco pode não ficar claro durante uma seleção, mas faz toda a diferença. Muitas vagas ainda são preenchidas pelo bom e velho QI (quem indica). Várias outras pedem contatos de referência ou recomendações. Ainda existe o fato de várias oportunidades de trabalho nem chegarem a ser divulgadas publicamente: acabam sendo preenchidas por meio de contatos.

Por esses e outros motivos, a gestora de carreira Madalena Feliciano aconselha todos em busca de recolocação a investir fichas nisso. ;Mantenha contato com colegas e ex-colegas, procure maneiras de expandir sua rede. É bom estar ativo nas redes sociais de trabalho, como LinkedIn, participar de seminários e feiras para conhecer pessoas que possam te indicar para vagas ou escrever uma recomendação;, diz.

Sem indicação
;Quando vou entregar meu currículo, vejo que observam muito como estou vestida. Aparência é tudo;, diz Silvana Nunes, 23 anos. Ela está desempregada desde os 18 e, mesmo procurando, nunca obteve uma chance. A jovem conta como costuma ser a abordagem quando se candidata a uma posição. ;Geralmente, eu entro nas lojas ou mercados e pergunto se estão precisando de gente para trabalhar. Se a resposta for positiva, deixo meu contato;, afirma. ;Apesar de não ter muita experiência e conhecimentos técnicos, acredito que meu currículo é completo, coloco todas as informações básicas;, diz.

Ela considera que a grande dificuldade que encontra é a falta de uma rede de conhecidos que possa ajudá-la a arranjar emprego. ;Atualmente, para ser contratado em uma empresa é importante se relacionar com pessoas que tenham influência e possam te indicar para o serviço. Tenho dificuldade de achar alguém que possa me colocar dentro da instituição ou me indicar para alguma chance;, afirma. Silvana confessa que sabe da importância de fazer cursos que a capacitem para determinadas oportunidades, mas acabou não conseguindo cuidar disso. ;Como estou desempregada, conto com a ajuda da minha família para as despesas. No fim do mês, não sobra dinheiro para eu fazer um curso;, completa.

A (des)atualização

Mesmo seguindo todas as recomendações, pode ser que o emprego não venha ou demore a vir ; afinal, o cenário d

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