Crônica da Revista

Crônica da Revista

Maria Paula mariapaula.df@dabr.com.br
postado em 26/05/2019 00:00


Homenagem ao professor Kelling


No último dia 15, um dos intelectuais mais inspiradores da nossa era fez a passagem. George Lee Kelling foi professor de justiça criminal e pesquisador de algumas das maiores instituições americanas, como Harvard, Northeastern University e o Instituto de Pesquisa Policial de Manhattan.

Sempre respeitado por suas ideias e amado por sua capacidade de abordar questões importantes enfocando não apenas o lado teórico, mas, também, o prático e o simbólico, ele foi o autor da teoria das janelas quebradas.

Desde a década de 1980, Kelling e o cientista político James Wilson criaram a teoria de prevenção da criminalidade, que teve uma influência poderosa sobre táticas de policiamento comunitário. A teoria das janelas quebradas pode ser resumida na ideia de que, se uma janela de um edifício for quebrada e logo não receber reparo, a tendência é que passem a arremessar pedras nas outras janelas e, posteriormente, passem a ocupar o prédio e a destruí-lo.

Eles exemplificavam que, ao longo do tempo, mais lixo é depositado numa calçada ou passeio no qual algum lixo está acumulado. No fim das contas, as pessoas começam a deixar lá seus sacos de dejetos.

Uma estratégia de êxito para prevenir o vandalismo, dizem os autores do estudo, é resolver os problemas quando eles são pequenos. Com o reparo das janelas quebradas, em pouco tempo, argumentam, os vândalos terão menos probabilidade de estragar mais. Limpem os passeios, e a tendência será de o lixo não acumular.

A teoria faz duas afirmações principais: que o crime de pequena escala ou comportamento antissocial é diminuído, e que o crime de grande escala é, como resultado, prevenido.

Os mais críticos alegam falta de provas para que as afirmações principais da teoria sejam legitimadas. No entanto, uma simples dose de bom senso já me parece suficiente para levarmos em consideração as ideias do professor e investirmos nas pequenas regenerações e reparações que nos cabem de um modo geral em nossas vidas. Quanto mais cedo pudermos agir, maiores as chances de escapar dos ;tsunamis; que ameaçam nossa sociedade.

Por essas e outras, dedico esta crônica ao professor George Kelling e, além de expressar minha mais profunda admiração, faço votos que seu legado possa crescer e dar frutos de esperança ao nosso planeta.




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