Porcos domésticos são menos receptivos que cães

Porcos domésticos são menos receptivos que cães

postado em 02/07/2019 00:00
 (foto: Újváry Dóra/Divulgação)
(foto: Újváry Dóra/Divulgação)


Pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Neuroetologia da Comunicação e do Departamento de Etologia da Universidade E;tv;s Loránd, em Budapeste, compararam o comportamento comunicativo com o homem de cães jovens e porcos em miniatura que vivem em famílias humanas. A pesquisa, publicada na revista Animal Cognition, revela que os porquinhos exibem alguns padrões semelhantes aos de cães domésticos, embora as predisposições da espécie os tornem menos receptivos aos comandos humanos e, às vezes, eles preferem seguir as próprias estratégias.

Assim como os cães, os porcos são animais sociais que vivem em grupos. Devido ao fato de que eles também são muito treináveis, a variante em miniatura está se tornando cada vez mais popular como um animal de companhia. ;Lançamos o Projeto Porco da Família em 2017 no Departamento de Etologia, em Budapeste. Os animais são criados em um ambiente semelhante ao de pets a partir de 6 a 8 semanas de idade, o que fornece a base para investigações comparativas únicas entre essas duas espécies;, diz Attila Andics, investigador principal do Grupo de Pesquisa em Comunicação.

Os pesquisadores examinaram o comportamento de cães jovens domésticos e porcos em miniatura em dois experimentos. ;Cães, ainda como filhotes, são conhecidos por serem habilidosos em se comunicar conosco mesmo sem nenhum treinamento específico;, explica Linda Gerencsér, principal pesquisadora do estudo. ;Estávamos curiosos para saber se os porcos domésticos também exibem sinais comunicativos semelhantes aos dos cães e se eles confiam espontaneamente nos estímulos humanos.;

Comida

No primeiro experimento, os pesquisadores observaram como os animais se comportavam com a treinadora sem a presença de comida, e também depois de terem sido alimentados por ela. ;Na presença de comida, tanto porcos quanto cães, a tocavam mais vezes e olhavam para o rosto com mais frequência. Porém, com uma diferença interessante: apenas cães, e não os porcos, olharam para o rosto humano quando não esperavam receber qualquer alimento;, aponta a aluna de doutorado Paula Pérez Fraga.

Em outro experimento, os animais foram autorizados a escolher entre dois locais onde havia comida escondida. A treinadora sempre apontava para o que continha o pedaço de petisco. ;Sem terem sido treinados para isso, apenas os cães seguiram a indicação, os porcos não. Os porcos também não escolheram aleatoriamente, mas preferiram seguir uma estratégia própria, indo sempre ao mesmo esconderijo;, diz Pérez Fraga.

O estudo é o primeiro a apresentar semelhanças e diferenças no comportamento de cachorros e de porcos domésticos durante interações comunicativas interespecíficas com seres humanos. ;São necessárias mais investigações para sabermos até que ponto as semelhanças encontradas são o resultado de efeitos ambientais, isso é, aprender pela experiência, ou, antes, devido a predisposições específicas da espécie;, acrescenta Gerencsér.



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