Cabeças a prêmio

Cabeças a prêmio

Clássico no Mineirão vale vaga na final e a afirmação das seleções de Brasil e Argentina, que vêm sendo questionadas pelo baixo nível técnico nos últimos jogos. Derrota pode ser crucial para os treinadores

Paulo Galvão
postado em 02/07/2019 00:00
 (foto: Nelson Almeida/AFP - 22/6/19
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(foto: Nelson Almeida/AFP - 22/6/19 )






Belo Horizonte ; Bastante pressionados, Brasil e Argentina se enfrentam hoje, às 21h30, no Mineirão, pelas semifinais da Copa América. As equipes precisam do título para que as comissões técnicas tenham tranquilidade, principalmente depois dos fracassos recentes, como as eliminações precoces na Copa do Mundo da Rússia, no ano passado. A seleção derrotada nesta noite corre o risco de perder o treinador. Isso significa recomeçar o trabalho quando se avizinham as Eliminatórias para o Mundial de 2022, no Catar.

A situação na Seleção Brasileira é um pouco mais tranquila que a dos rivais. Até por atuar em casa, com apoio do torcedor, a expectativa é pela conquista, quebrando jejum que chega há 11 anos na Copa América. O técnico Tite parece ter crédito com a direção da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mesmo com o time tendo feito campanha abaixo do esperado em gramados russos ; foi eliminado nas quartas de final pela Bélgica. O treinador aprovou o desempenho, tanto que convocou novamente 14 jogadores que estiveram no último Mundial.

Muito desse otimismo vem de bons jogos nas últimas Eliminatórias Sul-Americanas, quando a Seleção se classificou em primeiro lugar e com folga. Contudo, levando em consideração as últimas edições da Copa América, é bom o comandante brasileiro ficar atento. Foram as campanhas horríveis em 2015, no Chile, e, principalmente, em 2016 (em comemoração ao centenário do torneio), disputada nos Estados Unidos, que custaram o emprego a Dunga, antecessor de Tite no cargo.

Até por isso, o atual treinador sabe que precisa do resultado positivo. ;Não me sinto mais estável que outros treinadores, cada um tem sua história. Um trabalho se constrói, tem etapas, nuances. Então, há uma série de aspectos para levar em consideração ao analisar um trabalho;, diz Tite, ciente de que está sendo avaliado o tempo todo. ;Talvez por ter mais tempo de trabalho, nosso time tenha de mostrar mais organização. Mas, mesmo assim, é preciso ver que nove jogadores não estavam conosco no último Mundial. Então, houve mudanças, há coisas a se ajustar.;

Mesmo que a derrota lhe custe o emprego, ele não quer a vitória a qualquer custo. ;A gente sabe a importância desta partida, mas acima de tudo queremos produzir o nosso melhor. Não pode ter subterfúgio, tem de ganhar fazendo bem, tendo orgulho daquilo que se possa produzir. O futebol transcende algumas coisas em termos educacionais, não muda a realidade das pessoas, mas pode ensiná-las. Queremos competir forte e leal. E é dos dois lados. Por isso, a expectativa de um grande jogo;, comenta.

O Brasil não é campeão desde 2013, quando faturou a Copa das Confederações em casa, superando a Espanha na final. De lá para cá, não teve muito mais a comemorar do que a goleada sobre a Argentina, por 3 x 0, no próprio Gigante da Pampulha, em 2016, pelas Eliminatórias.

Hermanos
Pelo lado argentino, a situação é ainda mais complicada. A seleção não ganha título desde a Copa América de 1993 e não consegue aproveitar nem mesmo a regência do craque Messi, vice-campeão mundial em 2014 e ;bi; vice nas duas últimas Copas Américas, nas quais os argentinos foram derrotados na decisão pelo Chile.

Por isso, não é de se estranhar que a equipe alviceleste esteja no sétimo treinador nos últimos nove anos, tendo ;fritado; nomes como Alejandro Sabella, Gerardo Martino, Edgardo Bauza e Jorge Sampaoli. Lionel Scaloni aceitou um emprego que ninguém queria, nas palavras de jornalistas argentinos, e desde agosto do ano passado ocupa o cargo interinamente.

Até por não ter sido oficialmente efetivado ; teve o emprego garantido pela Associação de Futebol Argentino (AFA) até a Copa América ;, muitos acreditam que ele não tem qualquer responsabilidade, podendo realizar o trabalho de forma mais leve que os antecessores. Mas Scaloni, de 41 anos, sabe que a cobrança virá: ;Um grande treinador não para nunca de aprender. No meu caso, ainda mais, sou jovem. Entendo que tenho de buscar saber sempre mais, inclusive com os jogadores. Quanto mais aprendo, melhor para a equipe;.

Mais uma vez, ele não antecipa a escalação, mas tem costume de mudar a equipe a cada partida. Garante que não o faz em função do adversário. ;Sempre que fazemos uma modificação, é para buscar o melhor para a nossa equipe. Temos uma partida importante pela frente e tudo que fazemos é mais buscando conseguir fazer o que pretendemos do que em função do rival.;


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