Site Não me perturbe fica instável

Site Não me perturbe fica instável

» Thaís Moura*
postado em 17/07/2019 00:00
 (foto: Sinclair Maia/Anatel - 17/8/17)
(foto: Sinclair Maia/Anatel - 17/8/17)


No ar por 17 horas, o site Não me perturbe teve 620 mil cadastros para o bloqueio de ligações de telemarketing de empresas de telecomunicação, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) das 18h. O balanço divulgado do Sindicato Nacional das Empresas de Telefone e de Serviços Móvel Celular e Pessoal (Sinditelebrasil) apontou 247 mil solicitações de bloqueio de chamadas até o início da tarde, com pico superior a 40 mil acessos pela manhã. Com tanta procura, o site ficou instável. Segundo a entidade, após upgrade, a ferramenta voltou a funcionar normalmente.

A plataforma foi criada após determinação da Anatel, e atingirá as principais empresas do setor, como Algar, Claro/Net, Nextel, Oi, Sercomtel, Sky, TIM e Vivo. Com o site sobrecarregado, houve dificuldade no cadastramento. A bióloga Clara Helena, 23 anos, reclamou que, até o fim do dia, ainda não havia recebido a confirmação.

A jovem, brasiliense, decidiu aderir ao site porque, muitas vezes, recebia ligações de telemarketing em horários inapropriados. ;Eles (telemarketing) não aceitam quando a gente diz que não está interessado e ligam várias vezes ao dia. A gente nem sabe como o nosso número vai parar em tantos lugares;, relatou Clara. Mesmo após bloquear alguns números, ela ainda recebe ligações.

Para bloquear ligações indesejadas sobre venda de produtos e serviços de telefonia fixa, celular, internet e TV por assinatura, o usuário deve acessar www.naomeperturbe.com.br e se cadastrar, com endereço de e-mail, senha, CPF e número do telefone que deseja bloquear. A lista, no entanto, não vale para outros serviços, como oferta de bancos. Após a solicitação do cliente, as empresas têm até 30 dias para o bloqueio. Quem descumprir a regra pode ser advertido ou receber multas de até R$ 50 milhões, segundo a Anatel.

Maria Dolci, advogada especialista em direito do consumidor e coordenadora institucional da Proteste, vê como positiva a iniciativa. Ela alertou, porém, que se não houver transparência no cadastro, o usuário continuará tendo problemas. ;O site é criado pelas empresas, não é da Anatel. E lá você tem que deixar todos seus dados. Se não houver punição, as ligações podem retornar;, afirmou. Segundo a Anatel, as teles respondem por cerca de 32% das chamadas indesejadas. O presidente da instituição, Leonardo de Morais, garantiu que órgão regulador vai monitorar de perto a medida.

* Estagiária sob supervisão de Simone Kafruni

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