Dengue segue em alta na seca

Dengue segue em alta na seca

Quantidade de ocorrências registradas neste ano é quase 14 vezes maior do que em 2018. Secretaria de Saúde atribui aumento dos casos a aspectos virológicos e à dificuldade de atendimento precoce dos pacientes com sinais da doença

» WALDER GALVÃO
postado em 17/07/2019 00:00
 (foto: Fotos: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Fotos: Ed Alves/CB/D.A Press)

A maior epidemia de dengue do Distrito Federal contabiliza 35.178 notificações prováveis e 33 mortes. Na segunda-feira, a Secretaria de Saúde divulgou boletim epidemiológico que avalia os registros da doença até 6 de julho. O período avaliado de 2019 é quase 14 vezes maior do que o total de 2018 (veja Em números) ; no ano passado, as unidades de saúde da capital atenderam 2.463 casos e um óbito. A pasta atribui o crescimento a aspectos virológicos e à dificuldade de atendimento rápido dos pacientes com os sintomas.

Mesmo com a chegada da seca na capital, que inibe a proliferação da dengue, os números continuam a crescer. Até 29 de junho, 34.848 ocorrências haviam sido notificadas. Apesar de a quantidade de óbitos ter se mantido sem alterações, o boletim epidemiológico mostra alta de 0,9% dos registros prováveis em uma semana.

Nos hospitais, pacientes com suspeita da doença ainda ocupam as salas de espera. A moradora de Ceilândia Norte Roni Cléa dos Santos Almeida, 33 anos, compareceu à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região administrativa na manhã de ontem. ;Há quatro dias estou com febre, dor de cabeça e no corpo, vômito e suando frio. A família toda de uma vizinha pegou dengue, e a minha mãe está do mesmo jeito;, contou.


A mulher chegou ao local por volta das 10h e somente às 16h conseguiu o diagnóstico da doença. ;Informaram-nos que não havia previsão de atendimento. Esperei por mais de duas horas e fui ao Hospital Regional de Ceilândia, onde consegui fazer um exame de sangue para que a médica avaliasse posteriormente;, contou. Roni Cléa espera que, com o tempo seco, caia o número de casos. ;Antigamente, quase não víamos ninguém com dengue. Agora, é difícil encontrar alguém que nunca tenha tido. Para mim, é a primeira vez;, lamentou.

A dona de casa Cristiane Soares Santos, 42, também compareceu à UPA de Ceilândia, mas não foi atendida. ;Cheguei pela manhã e esperei horas, até nos informarem que não seríamos atendidos. Fui ao Hospital Regional de Taguatinga, e não havia médico. Vou tentar novamente amanhã (hoje);, reclamou. A mulher também se queixa de sintomas da dengue. ;Tive febre de quase 40 graus, muita dor no corpo, nas articulações e nos olhos. A minha vizinha está do mesmo jeito;, ressaltou.

O maior número de casos prováveis está na Região de Saúde Norte, que atende Planaltina, Sobradinho e Fercal. Com 7.439 casos, esse grupo representa cerca de 21% do total de infectados do DF e tem maior incidência de mortes, totalizando 10 óbitos. Em seguida, vem a Região Leste (São Sebastião, Paranoá e Jardim Botânico), com 6.946 registros, e a Região Sudoeste (Águas Claras/Areal, Recanto das Emas, Taguatinga, Samambaia e Vicente Pires), com 6.396 ocorrências.

As unidades de saúde da capital ainda registraram 54 casos graves e 731 com sinais de alarme. A Secretaria de Saúde ressalta que o número total de mortes pode aumentar no DF. Um óbito provável da doença está sob análise da pasta e deve ser avaliado nos próximos dias. Desde o início do ano, foram descartadas 48 notificações de morte em casos prováveis de dengue.

Redução
Apesar da alta, o boletim epidemiológico considera que o DF está há sete semanas seguidas com ;diminuição sustentada; das notificações prováveis. Em nota, a Secretaria de Saúde reforçou que a incidência de dengue está em desaceleração. ;Os casos estão diminuindo gradativamente em virtude do fim do período chuvoso e também graças às ações de rotina no combate ao Aedes, como manejo ambiental com coleta de inservíveis dos imóveis e, posteriormente, o recolhimento dos bens inservíveis em área pública e ações de fumacê;, destacou o texto.

Como medida emergencial, a pasta instalou tendas de hidratação nas unidades de saúde da capital. Esses pontos ficaram disponíveis entre 25 de maio e 30 de junho. No período, 36.244 pacientes receberam atendimento. Desses, 24.644 estavam com suspeita de dengue e receberam os cuidados necessários. Agora, a Secretaria de Saúde conta com trabalho de inspeção em domicílio com 470 agentes em campo e ações educativas.



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