De olho na lua

De olho na lua

Duas semanas depois do único eclipse solar de 2019, brasilienses acompanharam o segundo e último eclipse lunar parcial do ano. Eventos como esses acontecendo em curtos intervalos de tempo são raros

» ISA STACCIARINI » CAROLINE CINTRA
postado em 17/07/2019 00:00
 (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)


Brasilienses voltaram os olhares para o céu de Brasília, no fim da tarde de ontem. Mas, dessa vez, não foi para ver o pôr do sol. Eles contemplavam o segundo e último eclipse lunar do ano. Muita gente se reuniu na Praça dos Três Poderes e na Praça do Cruzeiro. O fenômeno da Terra alinhada com o céu coincidiu com o dia em que se comemorou os 50 anos da bem-sucedida missão da Apollo 11 ; a chegada do homem à Lua.

O fenômeno de ontem, um eclipse lunar parcial, durou quase três horas. O auge do espetáculo aconteceu às 18h30. O primeiro eclipse lunar do ano, completo, ocorreu na madrugada de 21 de janeiro, acompanhado de uma superlua. Em 26 de dezembro, haverá outro eclipse, mas solar, semelhante ao de 2 de julho. Diferentemente do eclipse solar, o lunar não precisa de equipamentos sofisticados para ser observado, podendo ser admirado até a olho nu.

Ontem, a Lua passou pela umbra, que é a parte da Terra que não recebe luz solar. Por isso, ela ficou cheia, parecida com a fase crescente. Mas, diferentemente do eclipse solar que aconteceu há duas semanas, quando o alinhamento do Sol, da Terra e da Lua ocorreu de forma perfeita, dessa vez o nivelamento não foi tão preciso.

O físico e presidente do Clube de Astrônomos de Brasília (Casb), Ricardo Melo, explicou que o eclipse acontece quando a Terra fica em uma posição entre o Sol e a Lua. Neste caso, o planeta acaba projetando sua sombra sobre o luar, cobrindo parcialmente o satélite. ;Hoje (ontem), a lua já nasceu eclipsada, ou seja, quando chegou ao alto, já era visível o eclipse. Dois terços da Lua ficaram com sombra e um terço iluminada;, comentou.

Em família

A funcionária pública Ana Lúcia Matos, 57 anos, levou a filha, Ana Laura Linhares, 10, e um telescópio para a Praça dos Três Poderes. Sempre que podem, elas assistem a eclipses juntas. ;Estou estudando o sistema solar e as fases da Lua e é muito interessante, porque eu já conheço (os fenômenos);, destacou a menina, aluna do 5; ano do ensino fundamental.

A paixão de Ana Laura é incentivada desde cedo pela mãe que, quando criança, tinha o teto do quarto substituído por telha de vidro para ver as estrelas celestes. ;Meu pai tinha essa tradição e cresci com essa paixão pela astrofísica;, ressaltou Ana Lúcia.

Moradora de Taguatinga, a militar Cristiane de Oliveira, 46, levou os filhos Miguel, 6, e Heloísa, 10, e a sobrinha Laura Souza, 11, para um passeio pela astronomia. O grupo foi primeiro ao Planetário e terminou o dia na Praça dos Três Poderes para assistir ao eclipse. ;Estou juntando dinheiro para comprar um telescópio. Só faltam R$ 300;, contou, animado, Miguel. ;É importante que eles entendam e vivenciem o que aprendem na escola;, acrescentou Cristiane.

De Samambaia, a professora Alcione Eugênia Lucena, 41, esteve na Praça dos Três Poderes com a filha Eduarda Eugênia Lucena, 18, e as sobrinhas Maria Clara Lucena, 10, e Lais Tedoro Araújo, 19. É a segunda vez no ano que mãe e filha assistem ao fenômeno, mas a outra foi da sacada de casa. ;É uma coisa única que não acontece sempre e precisamos admirar;, destacou Alcione.

A atriz Tina Carvalho, 38 anos, aproveitou o eclipse para fazer uma meditação rápida. Foi a segunda vez que ela compareceu à Praça dos Três Poderes para assistir ao fenômeno neste ano. ;Sempre que posso gosto de parar para contemplar. Estou sempre conectada. É um fenômeno visual, mas, também, espiritual;, frisou.


O fenômeno

; No dia em que se comemorou os 50 anos do lançamento da missão Apollo 11, quando o homem pisou pela primeira vez na Lua, o mundo acompanhou um eclipse lunar parcial.

; O fenômeno acontece quando parte da Lua passa pela umbra, a parte da Terra que não recebe luz solar. Como é parcial, a lua cheia fica parecida com a sua fase crescente.

; A umbra durou duas horas e 51 minutos. Considerado todo o período do eclipse, incluindo a fase de penumbra, o fenômeno durou cinco horas e 33 minutos.

; Esse foi o segundo eclipse lunar do ano. O primeiro aconteceu em janeiro. O próximo evento astronômico do tipo só acontecerá novamente em 2021.

; O fenômeno de ontem é diferente do eclipse solar observado duas semanas atrás. A Terra, o Sol e a Lua se alinharam novamente, mas, dessa vez, não houve um alinhamento perfeito.



Próximos eclipses lunares que poderão ser vistos no Brasil:

2020
5 de julho
30 de novembro

2021
26 de maio
19 de novembro

2022
16 de maio
8 de novembro

2023
28 de outubro

2024
25 de março
18 de setembro

2025
14 de março

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