Nossa Pátria-Mãe

Nossa Pátria-Mãe

Rodrigo Craveiro rodrigocraveiro.df@dabr.com.br
postado em 26/07/2019 00:00
Os embaixadores e outros diplomatas estrangeiros que conheci durante esses 14 anos em Brasília sentiam profundo respeito pelos brasileiros e muitos deles estabeleceram laços de afinidade com o nosso país. Ao retornarem à terra natal, levavam uma palavra genuinamente brasileira, a ;saudade;. Alguns me disseram que o Brasil tinha tudo para se tornar uma grande potência econômica: mão de obra farta e capacitada, recursos naturais abundantes, indústria em ascensão e dimensões continentais. Também destacaram o calor humano.

Essa mesma afeição pelo próximo acolheu e adotou milhões de imigrantes ao longo dos últimos séculos, principalmente portugueses, japoneses, italianos, alemães e libaneses. O Brasil se miscigenou com outros povos, tornou-se multiétnico, absorveu traços de outras culturas. Como uma generosa mãe, abriu os braços e ofereceu aconchego. Talvez por isso, qualquer traço de aversão ao estrangeiro tenha sido suprimido de nossa população. Aceitar e aprender a conviver com diferenças étnicas e culturais são passos fundamentais para a boa convivência e para um futuro de prosperidade.

;Não temos preconceito contra ninguém, mas temos profunda repulsa por quem não é brasileiro.; A frase causa estranheza, quando pronunciada pelo líder máximo de uma nação. Sobretudo quando, dias atrás, esse mesmo líder usou termo pejorativo para se referir ao povo nordestino. A missão de um chefe de Estado inclui ser agregador, jamais segregacionista ou divisivo. Isso também se aplica ao contexto da diplomacia.

Nos últimos meses, o Brasil tem se afastado de muitas de suas tradições. Na Organização das Nações Unidas (ONU), votamos em alinhamento a países autocratas islâmicos e rompemos com a histórica simpatia pela causa palestina, em nome de um viés ideológico imposto e de alianças internacionais remodeladas ou fortalecidas. Que o Brasil se reencontre como uma nação acolhedora, sensata e equilibrada em suas decisões. Uma pátria-mãe orgulhosa de seus filhos naturais e adotados, pronta para um futuro de paz e de pujança.





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