Crítica / Ted Bundy %u2014 A irresistível face do mal ***

Crítica / Ted Bundy %u2014 A irresistível face do mal ***

Zac Efron revive o serial killer que aterrorizou os EUA na década de 1970

Ricardo Daehn
postado em 26/07/2019 00:00
 (foto: Paris Filmes/Divulgação)
(foto: Paris Filmes/Divulgação)
Fuga para a vitória?
Uma citação ao pensador Goethe, que propõe desafios entre campos da imaginação e da realidade está colocada, logo na abertura do filme Ted Bundy ; A irresistível face do mal. Isso porque, em muitos momentos, o espectador pode desconfiar da autenticidade do que verá na tela. Quase 20 anos depois de assinar uma desprezível continuação para A bruxa de Blair, o diretor Joe Berlinger é quem comanda o filme que capta as infames atitudes de um criminoso escondido por trás da cara de bom moço. Zac Efron, em carreira que entra nos eixos, é o protagonista. E convence.

Ted Bundy cometeu atrocidades, em meados dos anos de 1970, e figurou entre os dez mais procurados pelo FBI. ;Forasteiro bonitão;, como chega a ser chamado, ele quica, de estado em estado, com uma vida obscura, mostrada com imprecisão. Aliás, a narrativa, por momentos, deixa no ar o grau de culpabilidade de Ted, numa tentativa de facilitar uma empatia entre o assassino e o público.

Com inocência sistematicamente alegada, Ted mexeu com a cabeça da mulher que, pela vida, jurou amar: Liz (papel de Lili Collins, de Tolkien). Secretária e mãe solteira, Liz aceitava os rótulos da época, fator que a tornava presa fácil para os jogos sentimentais orquestrados por Ted. Bancando o atraente, ele até mesmo conquistou legião de admiradoras que ocupavam as galerias dos tribunais de seus julgamentos.

Ex-estudante de direito, o homem que teve parte da vida transformada em série documental (também a cargo de Joe Berlinger) via o circo armado para sua futura prisão como uma ;alternativa conveniente; para as autoridades, e no recolhimento, lia o clássico Papillon (escrito por Henri Charri;re), citando-o como modelo de esperança. Tido como um ;jovem brilhante;, até mesmo pelo juiz (papel em que brilha John Malkovich), Ted gozou da particularidade de lutar pela autodefesa no processo judicial. Pesava nele a ironia e a arrogância que partiam da autoconfiança.

Sem apelar para a brutalidade gráfica, o diretor de Ted Bundy reserva para o final alguns dos trunfos. O aparecimento da estranha figura de Carole Ann (Kaya Scodelario, de Maze Runner), uma aliada de peso, junto com um papel bacana para Haley Joel Osment (ator-mirim de O sexto sentido) ajudam na composição da produção que ganha ares de drama de tribunal. Além disso, para além de uma menção aos efeitos de inimaginável serrote, o cineasta expõe as chocantes imagens reais que deram base ao filme de ficção. Novamente, encadeia o inicial pensamento de Goethe: a realidade talvez supere, de longe, a criatividade.

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