Visto, lido e ouvido

Visto, lido e ouvido

Desde 1960

Circe Cunha (interina) / circecunha.df@dabr.com.br
postado em 06/08/2019 00:00
Blindando o Estado

Historiadores que examinaram, sem paixões e com isenção, a proclamação da República em 1889 são unânimes em reconhecer que essa mudança brusca no sistema de governo brasileiro, foi claramente um golpe político-militar contra a monarquia constitucional e parlamentarista vigente e, de certa forma, uma traição não só contra o monarca, que foi apanhado de surpresa no meio da noite, como, de resto, a própria população, que não foi consultada e assistiu ao fato consumado bestializada e absorta ante a chegada da República da Espada.

Por ter iniciado de uma forma enviesada e torta a verdadeira república, como assunto é coisa pública, com a subordinação às leis da Constituição e com a necessária impessoalidade dos governos a tudo que se relaciona com o Estado, nunca foi implantada em sua integralidade no Brasil. A substituição de D. Pedro II por um presidente da República, substancialmente falando, pouco modificou a vida social, política e econômica do país.

A manutenção de privilégios, o corporativismo, a concentração de renda, a corrupção, os excessos cometidos pelos Poderes constituídos, tudo permaneceu como dantes, sendo que, em alguns casos, houve, sim, piora, com o surgimento de crises periódicas e certa instabilidade política. Mesmo a figura pública e irretocável do monarca deposto, seus princípios éticos e sua sólida formação acadêmica jamais encontrariam paralelo nos homens que viriam a governar o país doravante.

Uma pesquisa, mesmo ligeira, nos anais de nossa história, demonstra, de forma irrefutável, que, desde a implantação do novo sistema de governo, as sucessivas e cíclicas crises que se abateram sobre o país foram, na sua grande maioria, provocadas pela incapacidade pessoal e o despreparo das lideranças republicanas em lidar com momentos com tensão.

Mesmo o tipo característico de República presidencialista que passou a vigorar entre nós adquiriu, desde cedo, um certo ranço monarquista, fazendo do chefe do Executivo uma espécie de monarca-presidente, com forte concentração de poderes em suas mãos, com clara hipertrofia desse poder em relação aos demais. Ainda agora, em pleno século 21, quando, em grande parte do Ocidente democrático, as sociedades parecem demonstrar certa desilusão e cansaço com os caminhos das repúblicas representativas, com os partidos e os políticos caindo em franco descrédito entre a população, ao que se assiste agora em nosso país só vem confirmar o quanto ainda estamos aquém de uma verdadeira República.

A insistência com que o presidente Bolsonaro defende a indicação do filho, claramente despreparado para ocupar o cargo de embaixador em Washington, sob a ameaça de que, caso o Senado venha a barrar seu nome, ele poderá nomeá-lo ministro de Relações Exteriores e, com isso, vir a comandar um conjunto de mais de 200 embaixadores mundo afora, nos lança de volta, não ao tempo de D. Pedro II, que jamais adotaria semelhante atitude intempestiva, mas a uma era de absolutismo que o Brasil jamais experimentou em toda sua história. Lamentável essa atitude e demonstra a necessidade de o nosso país adotar medidas que possam blindar o Estado e as instituições de arroubos personalistas dessa natureza, não apenas por parte do Executivo, mas em relação a todos os outros Poderes.

A frase que foi pronunciada

;Se eu não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro.;
Dom Pedro II

Colaboração
  • O Banco do Brasil e a Faculdade de Direito da UnB trabalham juntos no projeto Victor. A UnB desenvolveu para o STF essa ferramenta de inteligência artificial que separa e classifica as peças do processo judicial e identifica os principais temas de repercussão geral. O Banco gostou da ideia e quer a adaptação para as demandas da instituição.

Cultivar
  • Na Feira do Paranoá,é possível encontrar a mandioca rosa. Tem alto teor de licopeno nas raízes, substância esta que apresenta importantes propriedades antioxidantes. Esse tipo de mandioca resulta em até 60 toneladas por hectare na colheita. Na Embrapa é conhecida como Mandioca - BRS 401.

Peru
  • Simpático à ideia do Festival Peruano, o embaixador Javier Raúl Martín Yépez Verdeguer deu total apoio ao evento. Vem aí a 4; Edição do Festival Peruano, neste sábado, a partir das 10h, com entrada franca, sendo que 1kg de alimento não perecível é bem-vindo.

História de Brasília
E, ao que se diz, o próprio presidente assinou o decreto a contragosto, para evitar a greve que se espalharia por todo o Brasil. (Publicado em 26/11/1961)

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