Escola militarizada derruba secretário

Escola militarizada derruba secretário

Para Rafael Parente, exonerado na noite de ontem pelo governador Ibaneis Rocha, o chefe do Executivo "foi longe demais" ao não considerar a escolha de colégios que optaram por não ficar com o modelo de administração dividida com a PM

» JÉSSICA EUFRÁSIO
postado em 20/08/2019 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/DA.Press - 20/5/19)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/DA.Press - 20/5/19)


O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), exonerou, ontem, o segundo secretário de governo desde que assumiu a gestão. À frente da pasta de Educação, Rafael Parente anunciou, por meio de uma rede social, a saída do cargo. Então titular da Secretaria de Trabalho, João Pedro Ferraz ; candidato ao Senado nas últimas eleições ; assumirá a vaga recém-aberta. Até o fechamento desta edição, o governo distrital não havia anunciado quem entraria no lugar do advogado.

Ao Correio, Parente afirmou que a resolução havia sido anunciada à Casa Civil e que a decisão decorreu da polêmica relativa à militarização das escolas públicas do DF. No sábado, a comunidade, a equipe administrativa e os professores de cinco instituições de ensino participaram de uma votação. Os grupos foram questionados se aprovavam a adoção de um modelo de gestão compartilhado com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF). Dos cinco colégios consultados, dois se manifestaram contrariamente à mudança.

No domingo, o governador Ibaneis afirmou que, apesar do resultado, levaria o modelo para as escolas que votaram contra ele. Para Rafael Parente, a atitude do chefe do Executivo foi ;longe demais;. ;Eu havia avisado, por meio do secretário da Casa Civil (Valdetário Andrade Monteiro), que, se não houvesse retorno, se não ouvissem a comunidade, como haviam prometido, eu abriria mão de meu cargo;, destacou. Ele acrescentou que soube da exoneração por meio de um jornalista. ;O secretário me pediu para aguardar, porque o governador me ligaria, mas ele (Ibaneis) decidiu falar isso (sem avisar).;

Parente é doutor em educação pela Universidade de Nova York e ex-subsecretário de Educação da Prefeitura do Rio de Janeiro, durante a gestão de Eduardo Paes (DEM). No cargo desde o início da gestão de Ibaneis Rocha, Rafael agradeceu o ;carinho dos professores; e disse ter feito o melhor que pôde no período em que ocupou a função.

No Twitter, ele agradeceu ao governador pela oportunidade e pelo ;favor; em exonerá-lo, além de afirmar que não voltaria atrás. ;Minha integridade, meus valores, a certeza de que temos de defender a democracia são o princípio mais valoroso do mundo. Eu me entreguei como nunca havia me entregado. Com certeza, continuarei trabalhando muito pela educação do Brasil e do Distrito Federal e por nossa democracia, para que consigamos respeitar e valorizar mais nossas diferenças;, ressaltou, em entrevista ao Correio.

Sob a nova gestão de João Pedro Ferraz, a pasta da Educação do DF ganhará uma subsecretaria para cuidar apenas das escolas de gestão compartilhada. No entanto, não foram divulgados nomes de quem assumirá o departamento. Até o fechamento desta edição, a reportagem não conseguiu contato com o governador Ibaneis Rocha. (Colaborou Ana Viriato)

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