Alunos abraçam o Gisno

Alunos abraçam o Gisno

postado em 20/08/2019 00:00
Pacífico, o protesto no Gisno começou às 12h20, quando alunos e professores deram as mãos e entoaram frases como ;Não à militarização!” e ;Respeita o Gisno, Ibaneis!”. ;Não somos contra a Polícia Militar, tanto que respeitamos o bom trabalho do batalhão escolar. Mas, dentro da instituição, giz não combina com arma;, disse o diretor, Isley Marth. Surpreso com a determinação de Ibaneis, ele criticou o fato de a Secretaria de Educação ter escolhido a militarização no período de recesso escolar. ;Pouco tempo antes dessa escolha, a Secretaria nos visitou, viu os nossos problemas estruturais e nos disse que seríamos colocados no Programa Escolas Prioritárias;, informou. Segundo Isley, o modelo prevê medidas emergenciais, como a destinação de recursos para reformas e ampliação da equipe de orientadores educacionais.

Professor de filosofia no Gisno, Henrique Fróes enfrentou dificuldade para conter os alunos pela manhã. ;Eles se sentiram desrespeitados e ficaram revoltados, porque se engajaram no debate, vieram à escola votar no sábado e foi em vão;, lamentou.

Em Samambaia, a movimentação começou às 7h. Apesar da rejeição ao modelo de gestão nas urnas, pais e estudantes pediram a presença dos militares na escola durante o ato. Com o filho mais novo matriculado, a consultora de produtos de beleza Firmina Vieira, 39, alegou que a instituição se tornou um ambiente de drogas, brigas e roubos. ;Tem câmera, mas não serve para nada. Está uma bagunça. Achei errado os alunos votarem. Crianças não podem decidir por si só;, criticou.

Resultado
Para a diarista Lúcia Helena da Silva, 48, a opinião dos professores interferiu na escolha dos filhos. ;Eles os assustaram. A minha filha chegou em casa com medo do que ouviu. Mas eu sentei com ela e disse que seria o melhor. Expliquei que o índice de violência é alto e que, com a presença da PM, pode melhorar.;

Diretor do centro de ensino fundamental, Rodrigo Soares revelou que os professores ficaram surpresos com a decisão do governador, mas não devem resistir. ;Vamos aguardar as recomendações do projeto. Mas, em nenhum momento, o governo deixou claro que não respeitaria o resultado das votações;, ponderou. A Secretaria de Educação não se manifestou sobre os protestos.
CARA A CARA
Cristovam Buarque,
ex-senador e ex-ministro da Educação

;Creio que compartilhar seja positivo. Professor educa, policiais protegem. O caos ao qual deixamos as escolas chegarem exige uma assessoria em segurança em que nós, professores, não temos expertise. A maioria das escolas precisa de mais disciplina. Melhor, precisa de aspectos necessários à convivência. Não estão sendo o ambiente que deveriam ser, porque estão marcadas por episódios de violência física, depredação do patrimônio, roubo.;
Francisco Thiago Silva,
Doutor e professor da
Faculdade de Educação da UnB
;A população associa as escolas militares às de gestão compartilhada. Há grandes diferenças entre as duas, como a valorização do profissional e o processo de admissão de estudantes. Além disso, é preciso deixar claro que a militarização não resolve os problemas exteriores, que, geralmente, são atrelados ao comportamento dos alunos. O projeto ainda tira do professor a autonomia, e a presença de profissionais de fora da carreira do magistério é ilegal, por ferir a Lei de Diretrizes e Bases da Educação.;

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