Machismo assassino

Machismo assassino

anadubeux.df@dabr.com.br
postado em 08/09/2019 00:00


Mais um caso. Pedrolina, Gisvânia, Carolina, Fabiana, Vanessa, Antônia, Letícia... Até quando? Mais uma história interrompida, uma família arruinada, uma mulher violada e assassinada. E nós, aqui, inertes, sem saber o que fazer para estancar essa sangria. O feminícidio tornou-se uma espécie de epidemia, doença insistente, crônica e sem cura aparente. Se não for o grito alto, inclemente e em uníssono, como seremos escutadas?

O grito é melhor que o silêncio da omissão, do que a pura e simples resignação, do que o medo que não cessa. Devemos falar, educar nossas crianças, entender nossa sociedade, contrariar a condição machista que nos caracteriza desde sempre. Deixar vir à tona o inimigo, conhecê-lo a fundo e derrotá-lo, reconhecendo que o machismo é um mal para todas as famílias, mulheres e homens. Não se trata apenas de combater uma condição, mas de percebê-la como problema que mata e perpetua a mulher como uma vítima. Essa consciência é o primeiro passo.

O feminicídio não é apenas uma tipificação legal. É uma chaga social que reincide de forma assustadora. Mata mães, filhas, avós, trabalhadoras, crianças, adolescentes. O recente caso do estupro e assassinato da assistente social Pedrolina Silva, 50 anos, não pode ser apenas mais um na estatística. São 20 mulheres assassinadas no DF somente neste ano. A cada notícia que publicamos, maior a certeza de que o caminho é longo. Apesar de tantos protestos, discursos e vozes que ecoam por aí, a violência contra a mulher persiste.

Talvez porque o entendimento da questão de gênero ainda escape pelas vias da ignorância. Frescura e bobagem são algumas das abstrações ridículas usadas para nominar a real desigualdade. Isso existe, meus queridos, insiste, persiste, mata. Não resta espaço para dúvida ou para questionamento. Independe da sua vontade ou da minha. O machismo é real, a matança de mulheres é devastadora.

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