Dicas de português

Dicas de português

por Dad Squarisi dadsquarisi.df@dabr.com.br
postado em 08/09/2019 00:00
 (foto: Eric Piermont/AFP - 9/6/15)
(foto: Eric Piermont/AFP - 9/6/15)
Recado
;Os de hoje não fazem mais o plural como antigamente.;
Sérgio Rouanet



Por aí
Michelle Bachelet foi presidente do Chile. Agora, é alta comissária de Direitos Humanos da ONU. Ao falar do Brasil, disse que nosso ;espaço democrático está se reduzindo;. Bolsonaro não gostou. Em resposta, jurou que ;ela está defendendo direitos humanos de vagabundos;. A frase rendeu. Atravessou Europa, França e Bahia. No caminho, suscitou uma curiosidade. De onde vem a palavra que ofende gregos, romanos, baianos e sergipanos?

Vagabundo vem do verbo vagar ; andar sem destino definido, vaguear. Quando nasceu, a palavra era do bem. Não tinha a conotação pejorativa que o tempo lhe deu. Dava nome a quem estava a vagar, perambulando pelo mundo. Movia-o não a preguiça, mas razões nobres. Entre elas, filosofar ou buscar a amada.



Subiu nas tamancas
E João Doria, hem? O governador ficou possesso. A razão: descobriu que livros didáticos com capítulo sobre homossexualidade haviam sido distribuídos nas escolas de São Paulo. Indignado, mandou recolhê-los e tuitou: ;Não concordamos e nem aceitamos apologia à ideologia de gêneros;. Ops! Esqueceu de lição aprendida lá na escola primária. A conjunção nem quer dizer e não. Traz embutidinho o e. Compare:

Não estuda e não trabalha. Não estuda nem trabalha.

Não o viu e não o verá. Não o viu nem o verá.

Não concordamos e não aceitamos apologia à ideologia de gêneros. Não concordamos nem aceitamos apologia à ideologia de gêneros.



Bem-vindo
A duplinha e nem nunca tem vez? Tem. Em duas construções. Uma: quando não há negativa antes. A outra: quando equivale a e nem mesmo. No caso, dá reforço ou ênfase à declaração: Trabalhava o dia inteiro e nem se lembrava de descansar. Doria escreveu e nem se deu conta do desperdício da conjunção.



Vira-lata sim, senhores
Eis a questão: internet ou Internet? Na origem, internet era nome próprio. Escrevia-se com a inicial maiúscula. Agora, dá nome a uma mídia, como rádio, jornal, televisão. Tornou-se substantivo comum. Sem pedigree, é senhora vira-lata.

Grafa-se com letras pequeninas: Obtenho informações no jornal, no rádio, na tevê e na internet.

Facebook joga em outro time. É nome próprio como Instagram, WhatsApp, Twitter, You Tube, TV Globo, A Tribuna, Correio Braziliense, Estado de Minas, O Sul, Roraima em foco. Daí a inicial grandona.



A história
A internet é moderna? Sim. Mas a palavra não. Ela já era empregada em 1883 para designar movimentos interligados. No início dos anos 1970, o termo começou a ser usado como resultado da interligação de redes com roteadores. Os primeiros registros de interações datam de 1961, 1962 e 1964. Naquela época, já se falava da possibilidade de uma ;rede galáxica;. Mas foi em 1965 que Lawrence G. Roberts e Thomas Merril promoveram, pela primeira vez, a conversa de dois computadores através de uma linha telefônica entre Massachussets e Califórnia.



Leitor pergunta
Eta parto difícil. Cadê a indicação do procurador-geral da República? Bolsonaro faz mistério. Outro dia, disse: ;O procurador-geral da República terá o valor de uma rainha no tabuleiro de xadrez;. Repórteres, loucos por novidade, escreveram sem pensar ;raínha;. Assim, com o baita acentão no i. Tropeçaram na língua, não?

Sâmia Seco, Boa Vista

Eles confundiram Germanos com gêneros humanos. O i ganha grampinho quando quebra ditongo. É o caso de saída e egoísta. Para tanto, preenche quatro condições. Uma: ser antecedido de vogal (sa-í-da, e-go-ís-ta). Duas: formar sílaba sozinho ou com s (sa-í-da, e-goís-ta). Três: ser a sílaba tônica (sa-í-da, e-go-ís-ta). Quatro: não ser seguido de nh. Ops! O i de rainha é seguido de nh. Daí ficar livre e solto como em bainha, campainha, ladainha.



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