Avanços na cidadania

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A Secretaria de Pessoa com Deficiência será comandada por Iolando Almeida (PSC). %u201CQueremos transformar Brasília na capital mundial da acessibilidade%u201D, destaca Ibaneis Rocha, que pretende criar uma grande estrutura para a pasta

» Alexandre de Paula
postado em 12/09/2019 00:00
 (foto: Renato Alves/Agência Brasília)
(foto: Renato Alves/Agência Brasília)

O Distrito Federal terá uma secretaria voltada para a pessoa com deficiência, oficializada, ontem, pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) com a sanção do projeto de lei que autorizou o novo órgão. Para o comando, o escolhido foi o deputado distrital Iolando Almeida (PSC), que milita na área há anos. No DF, há cerca de 650 mil pessoas com deficiência. Segundo o emedebista, moradia e mobilidade serão prioridades.

A ideia foi gestada nos últimos meses com reuniões e estudos e agora sai oficialmente do papel. A proposta é uma reivindicação antiga de entidades e associações voltadas para o cuidado de pessoas com deficiência e existe em outras unidades da federação, como São Paulo, Rio de Janeiro e Amazonas. ;É um momento marcante na história do DF para nós, pessoas com deficiência, e para aqueles que acreditaram que um dia seria possível alcançar esse sonho;, disse Iolando.

A Secretaria de Pessoa com Deficiência ficará responsável por assegurar políticas públicas e ações voltadas às pessoas com deficiência. Também terá a obrigação de fiscalizar o cumprimento dos direitos e os princípios estabelecidos pela Política Distrital para Integração da Pessoa com Deficiência.


Ontem, o governador Ibaneis Rocha destacou que a prioridade, no primeiro momento, será a criação e efetivação de projetos voltados para a mobilidade e para a habitação de pessoas com deficiência. Na visão do governador, essas questões são urgentes no DF. Ele reconheceu que a mobilidade para essa parte da população é um problema crítico.

O chefe do Executivo local destacou, também, a importância de que a atuação da nova secretaria esteja em sintonia com outros setores do governo. Ele citou como exemplo a Secretaria de Saúde, que poderia, segundo Ibaneis, oferecer ações voltadas para o público com deficiência e ter uma subsecretaria destinada especificamente para isso. ;A criação da Secretaria da Pessoa com Deficiência é o primeiro passo de uma caminhada muito grande que vamos ter;, assegurou.

Estrutura
O novo secretário ressaltou que quer montar toda a estrutura para a pasta e colocá-la para funcionar bem será a primeira grande dificuldade. ;É um desafio assumir essa secretaria que também é um pouco deficiente, porque ainda não tem pernas, braços, sala, nada. E nós teremos que fazer tudo isso junto com o governador Ibaneis Rocha;, disse.

No discurso, Ibaneis reconheceu que a estrutura da pasta começa ;capenga;, mas garantiu que a situação mudará logo e que o órgão terá, sim, sede, veículos e funcionários para operar com qualidade. Inicialmente, a secretaria funcionará no prédio da Biblioteca Nacional e contará com pontos de atendimentos nas estações de metrô, segundo Ibaneis. ;Queremos transformar Brasília na capital mundial da acessibilidade;, destacou o emedebista.

Esperança
Para quem sofre com os problemas cotidianos, a criação da Secretaria da Pessoa com Deficiência traz esperança de que os direitos sejam garantidos e de que projetos saiam do papel. ;Nós esperamos que as coisas não fiquem no discurso. Temos muitas leis, mas grande parte delas nunca funcionou na prática;, reivindica Cícero Sales, 53 anos, morador do Riacho Fundo 2.

O pedido de Cícero é reforçado por Doris Vieira, 54, moradora do Gama. Ele relata dificuldades diárias de acessibilidade e de locomoção e espera avanços nesse sentido. ;Brasília não está preparada para nos receber. Muita gente não sai de casa, fica até mesmo com depressão, por não conseguir se locomover bem, por ter dificuldade de sair para se divertir, para resolver algo;, conta. ;Eu faço questão de sair mesmo com dificuldades, mas não é todo mundo assim;, diz, apontando para as rodas desgastadas, por causa dos problemaS de acesso, da cadeira que usa.

O aposentado Elson Vasco, 53 anos, morador do Gama, tem deficiência há 30 anos e também cobra mais visibilidade das dificuldades que enfrenta. ;Nossos principais problemas, além da acessibilidade e da mobilidade, são a questão da moradia e do emprego. Não temos projetos que nos ajudem nisso. A esperança é que, com um órgão para nos atender, esses problemas sejam olhados com mais atenção.;




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