Novas denúncias são checadas

Novas denúncias são checadas

Advogado de Marinésio dos Santos Olinto, Marco Venício, afirma que, após exame de DNA, a Polícia Civil descartou a participação do cozinheiro num caso de estupro em que era o principal suspeito. Outras investigações estão em andamento

» SARAH PERES » WALDER GALVÃO
postado em 12/09/2019 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Assassino confesso da advogada Letícia Curado, 26 anos, e da auxiliar de cozinha Genir Sousa, 47, o cozinheiro Marinésio dos Santos Olinto, 41, pode ter se livrado de uma outra acusação. Ao Correio, o advogado do investigado, Marco Venício, informou que a Polícia Civil descartou a participação dele em um estupro em que era suspeito. De acordo com o advogado, os agentes teriam comparado o DNA de Marinésio com o material genético encontrado em uma vítima, e o resultado foi incompatível.

Após a prisão de Marinésio, em 24 de agosto, um dia depois do desaparecimento e morte de Letícia, ao menos 10 mulheres procuraram delegacias da capital para denunciá-lo por crimes como estupro e assédio sexual. A reportagem entrou em contato com a delegada titular da 6; Delegacia de Polícia (Paranoá), Jane Klébia, porém a investigadora informou que não daria entrevistas por determinação do Departamento de Polícia Circunscricional (DPC). Desde 29 de agosto, integrantes da corporação estão proibidos de comentar sobre o caso com a imprensa.

Depois dos crimes de Marinésio, casos de mulheres mortas ou desaparecidas foram reabertos para checar alguma ligação com o cozinheiro. Os investigadores detectaram padrões similares às ações de Marinésio nessas ocorrências. Entretanto, o advogado do investigado rebate as acusações. ;Posso afirmar que apenas dois processos estão em investigação. Entretanto, ele nega tudo (as novas denúncias), assumiu apenas os casos que confessou;, destacou Venício.

Em 5 de setembro, duas supostas vítimas de estupro de Marinésio, uma estudante, de 17 anos e uma copeira, de 43, compareceram ao Departamento de Controle e Custódia de Presos (DCCP), onde o cozinheiro está preso. Elas fizeram reconhecimento facial do acusado e confirmaram que ele é o autor dos crimes cometidos contra elas. Para o advogado, elas estão enganadas. ;Vamos demonstrar isso por meio da defesa. O erro é que elas foram ao local certas de que é o Marinésio. Isso não é reconhecimento. Todas iriam apontá-lo. Infelizmente, essa é a nossa realidade;, ponderou.

O advogado ressalta que não há provas para indicar Marinésio sobre outras acusações, inclusive dos casos reabertos. ;Ele responderá pelos casos em que virar réu e faremos a melhor defesa. Fica a palavra dele contra nenhuma outra;, acrescentou. Sobre a finalização dos inquéritos de Genir e de Letícia, Venício ressaltou que ele deve ser processado por homicídio qualificado ou feminicídio, no entanto, disse que a diferença entre os qualificadores é pouca.

Análise
Marinésio ainda pode ser acusado por mais sete crimes. Peritos da Polícia Civil comparam o DNA do cozinheiro com o material genético encontrado em sete casos de estupros ou homicídios no Distrito Federal. Delegacias distintas à frente desses crimes solicitaram a análise ao Instituto de Pesquisa de DNA Forense (IPDNA). Os agentes não divulgaram quando o resultado será apresentado ou detalharam as ocorrências.

Os investigadores coletaram amostras de células da mucosa bucal de Marinésio para serem usadas nas análises. Os peritos também continuam a fazer avaliações genéticas relacionadas ao caso do assassinato de Letícia. Na segunda-feira, o marido da advogada, Kaio Fonseca, 25, confirmou ao Correio que teve acesso ao laudo cadavérico da esposa. De acordo com ele, ela não sofreu violência sexual e morreu devido a esganamento.




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