Roberto Leal, 67, cantor

Roberto Leal, 67, cantor

Com mais de 30 discos de ouro, cantor português não resistiu a um melanoma maligno que evoluiu e atingiu o fígado

» Irlam Rocha Lima
postado em 16/09/2019 00:00
 (foto: Reprodução/Twitter)
(foto: Reprodução/Twitter)



Entre os artistas portugueses radicados no Brasil, o cantor e compositor Roberto Leal foi o que acumulou maior sucesso. Com 50 álbuns lançados, 300 músicas gravadas, mais de 17 milhões de cópias vendidas, 30 discos de ouro e cinco de platina conquistados, ele tinha muitos fãs não apenas lusitanos, mas também brasileiros. Seus maiores hits são Arrebita, Bate o pé, Tiro Lira e Roda roda vira, que, tempos depois, recebeu debochada adaptação da banda Mamonas Assassinas.

Antônio Joaquim Fernandes ; nome com o qual foi batizado ;, nascido no Vale da Porca, em Macedo de Cavaleiros (Portugal), morreu na madrugada de ontem aos 67 anos, no Hospital Samaritano, em São Paulo ; cidade para a qual emigrou em 1962 ;, onde estava internado desde o dia 10 último.

A causa da morte foi um melanoma maligno que evoluiu e atingiu o fígado, provocando síndrome de insuficiência hepato-renal. Há dois anos, Leal enfrentava um câncer de pele. O velório, aberto ao público, será hoje na Casa Portugal, em São Paulo, das 7h às 14h; e o sepultamento, em seguida, no Cemitério de Congonhas, em Vila Sofia. O cantor deixa mulher e três filhos.

Embaixador da cultura

Devido ao êxito que obteve na década de 1970, Roberto Leal credenciou-se como embaixador da cultura portuguesa no Brasil. Ele demonstrou gratidão pela acolhida recebida no país ao gravar CDs que têm como títulos Obrigado Brasil (2014), De Jorge Amado a Pessoa (2004) ; com o qual homenageou o escritor brasileiro e o poeta lusitano ;; e Roberto canta Roberto (1999), deixando clara a admiração por Roberto Carlos, de quem interpreta clássicos como Amada amante, Como vai você e Proposta. Roberto Leal, porém, nunca esqueceu o país de origem, tanto que, na maioria dos discos que lançou, predominavam ritmos portugueses, em especial o fado.

Além da trajetória artística, Roberto Leal, que, na adolescência trabalhou como sapateiro e em uma feira, tinha uma forte ligação, como torcedor e apoiador da Portuguesa de Desportos. Em parceria com Márcia Lúcia, compôs um hino para o clube paulistano, intitulado Os campeões.

O time de futebol se manifestou após a morte de Roberto Leal pelas redes sociais. ;Enlutada, a Associação Portuguesa de Desportos chora a perda do autor do hino atual do Clube, e presta os sentimentos de uma nação inteira pela perda do querido Roberto Leal, imigrante português que adotou o Brasil como sua terra e a Lusa, como seu time do coração;, diz a publicação.


Homenagem de Felipão

O treinador Luiz Felipe Scolari se pronunciou sobre a morte de Roberto Leal. Felipão foi técnico da Seleção de Portugal no período de 2003 a 2008. ;Logo que cheguei a Portugal em 2003, tive a oportunidade de conhecer Roberto Leal. Ele me falou das dificuldades de integração num país estrangeiro. Ele tinha vivido situação inversa no Brasil. Roberto Leal foi muito importante na minha aceitação pela família portuguesa. Sou eternamente grato ao amigo Leal. Descanse em paz;. Felipão colocava no ônibus da seleção de Portugal a música Uma casa portuguesa com a batida do Olodum. Era o símbolo da integração dos dois países.







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