(continuação) >> entrevista Ibaneis Rocha, governador

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postado em 19/09/2019 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)



O senhor assistiu à entrevista
do ex-presidente Michel Temer
no Roda Viva?
Vi. Ele está muito bem. E está se mostrando agora o que tem sido a Lava-Jato (que prendeu Temer). Ela precisa ser corrigida. Se não, o que poderia ser o maior exemplo da República no combate à corrupção pode se tornar o maior ato de perseguição política da história do Brasil. Perseguição maior até do que na ditadura, porque na ditadura as coisas eram feitas às claras. O presidente da República mandava o nome, e o Congresso cassava. Agora, as pessoas são cassadas com utilização da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal. Isso é escandaloso. Com isso, você transforma o combate à corrupção em algo muito ruim. A Lava-Jato pode criar o maior mártir da história do Brasil: Luiz Inácio Lula da Silva. Se o Supremo anular uma condenação ou colocar qualquer pecha em cima da Lava-Jato em relação à prisão do presidente Lula, ele vai ser um presidente preso injustamente. Imagine o Lula fazendo uma campanha nas ruas dizendo que foi preso injustamente.

Com o olhar de advogado,
o senhor acha que a Lava-Jato
foi uma boa causa?
O preço da democracia é atender a Constituição e as leis. Não existe ninguém que está acima da Constituição e das leis da República. E o Ministério Público se achou acima disso. Nós apontávamos isso lá atrás. Quando eu estava na diretoria da OAB, dizíamos que os métodos da Lava-Jato não estavam corretos. Só que nós não tínhamos acesso à informação, até porque elas estão nos órgãos de controle. Tem de se corrigir, mas isso não quer dizer que os processos não possam voltar, e essas pessoas serem condenadas, mas condenadas dentro de um processo legal. Esse é o preço da democracia.

As mensagens divulgadas
deixam claro isso, que houve
irregularidades?
Mais do que claro. Imagine a situação em que um advogado e um juiz trocassem mensagens combinando a sentença ou o que deveria ser feito para colocar uma determinada investigação em xeque, que o Ministério Público estivesse conduzindo. Estavam presos o advogado e o juiz.

Em alguma situação, como
advogado, o senhor esteve
tão próximo assim de um juiz?
Não. Eu tenho relações honestas. Passei 25 anos na advocacia e sou amigo de diversos magistrados, mas não existe isso. Não existe. De maneira nenhuma.

O senhor comentou que o
secretário de Segurança Pública, Anderson Torres, ajuda na relação com a Presidência. Ele está cotado para a direção da Polícia Federal. Ele fica no governo?
Ele detém a confiança exatamente do presidente por ter sido uma pessoa correta ao longo desse tempo. Agora, posso afirmar que ele é um profissional muito correto. Posso garantir também que ele é um grande gestor da segurança pública e vai fazer muito bem à Polícia Federal, vai ajudar a oxigenar a corporação. Gostaria muito que ele continuasse como secretário ao longo de todo o governo, mas isso é um desejo pessoal.

A segurança é uma das áreas que já deram certo em seu governo?
Sim. Nós diminuímos quase todos os índices. ;Ah, mas e a questão do feminicídio, que é o que mais aparece?;. O feminicídio não aumentou nem diminuiu. Ele apareceu, é um crime recente, que passou a ser qualificado a partir da lei e que ganhou determinada visibilidade por ser contra as mulheres e, geralmente, em situação em que elas estão sendo diminuídas dentro do seio da família. Nós estamos trabalhando muito.

Combater o feminicídio é difícil;
É, mas nós vamos aprender. Eu pedi para fazer pesquisa, aqui no âmbito do governo, para que possamos tomar orientação das campanhas que temos feito.

Algo similar ao que
ocorre com o suicídio? Quanto mais se fala mais se incentiva?
Isso. Eu estou muito preocupado com essa questão até para orientar as nossas divulgações. Pedi para reunir uma equipe de psicólogos e psiquiatras para que nos orientem. É um momento em que todos nós estamos atônitos. É um crime que envolve toda a sociedade. Pedi para que as campanhas tenham a participação de todas as secretarias para que nós pudéssemos avançar pelo menos no que está dentro da nossa capacidade. Nós precisamos muito compreender o que é isso. Não consegui ninguém que conseguisse achar uma saída.

O senhor fez uma reunião com
todos os secretários esta semana, com muitas cobranças. Como foi?
Foi uma reunião muito feliz. Olha, até o mês de julho, início de agosto, eu estava muito preocupado. Em alguns momentos, eu pensei que isso aqui não tinha jeito. Nos últimos mês e meio, dois meses, entramos em um outro ritmo. Os secretários pegaram bem qual é o espírito do governo. Está todo mundo acelerando, mas com muita tranquilidade. O segundo e o terceiro escalões começaram a entender também a mensagem. Tem muita coisa para ser quebrada que vem desde a época do (ex-governador Rogério) Rosso, talvez um pouco atrás. As políticas não são implementadas com a velocidade que a gente gostaria. Mas estão começando a chegar lá.




Esse modelo que o senhor criou com a Secretaria de Governo e a Casa Civil deu mais liberdade para fazer política?
Deu mais tranquilidade. Tem alguns problemas que são internos, que precisam ser resolvidos e que eu estava me desgastando muito para fazer andar. Então, hoje, converso com o Valdetário (Monteiro, chefe da Casa Civil), e ele vai cuidando dessa questão interna, principalmente no que diz respeito a licitações, contratos. Essa é uma grande reclamação que tenho. Recebi um relatório que mostra um contrato feito em 2010 e, de lá para cá, nunca mais foi licitado. É uma empresa que recebeu R$ 500 milhões do GDF por meio da Secretaria de Saúde. Eu determinei que isso acabe. Nós temos de ter licitações regulares, em que as empresas realmente tenham preços justos. Vamos editar dois decretos para tratar daqueles pagamentos que estão em contrato de indenização.

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