Ninguém segura elas

Ninguém segura elas

Lucas Batista*
postado em 19/09/2019 00:00
 (foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

Popularmente conhecido como chorinho, o gênero musical surgiu no Rio de Janeiro em meados do século 19 e, hoje, é um dos estilos mais prestigiados e sofisticados da música popular brasileira. Nesse embalo, o grupo Regional Segura Elas apareceu com um novo enfoque: trazer a perspectiva feminina para o mundo do choro. ;Há uma forte predominância masculina ao longo da história do choro, temos importantes compositoras e instrumentistas que também fazem parte dessa história, mas seguiram sendo invisibilizadas. Nossa ideia foi fazer um regional feminino que bata de frente com essa invisibilidade;, explica a flautista e integrante do grupo, Any Lopes, de 20 anos.

Com as instrumentistas Ana Rodrigues (violão 6 cordas), Iza do Cavaco (cavaco centro), Karol Cass (violoncelo), Any Lopes (flauta transversal), Nathália Marques (pandeiro) e Pati Barcellos (cavaco solo), o grupo se formou na Escola de Música de Brasília (EMB). ;Estamos juntas desde 2017. Nos encontramos em uma prática de conjunto da EMB, ministrada pelo professor Lucas de Campos, que teve a ideia de formar um grupo de choro só de mulheres;, conta a flautista.

O grupo revela que, mesmo com a profissionalização e apresentações em grandes festivais como o Sofar Sounds Brasília, plataforma que surgiu na Inglaterra, e abrange a cena musical do mundo inteiro, ainda sofre com situações desconfortáveis. ;O preconceito ainda existe, há quem nos subestime quando subimos no palco por uma questão de gênero. Um músico já invadiu nossa apresentação e começou a nos acompanhar. Não temos certeza do que ele pretendia, mas nos questionamos se caso fosse um regional composto por homens se ele teria feito isso;.

Apesar do questionamento, o regional segue conquistando seu espaço e representando muitas meninas e mulheres da cidade que têm o mesmo sonho. ;Para nós, é muito gratificante, e, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade sermos referência para outras instrumentistas ;.

Neste ano, o grupo gravou o primeiro vídeo de choro e criou o jingle para uma campanha institucional da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANTP) e do Ministério Público do Trabalho. Além disso, trabalham em um projeto, uma homenagem à maestrina do choro: Chiquinha Gonzaga.A próxima apresentação do Segura Elas ocorre no projeto Prata da Casa (CLN 116 bloco A), dia 23 de outubro. Para mais informações siga @regionalseguraelas, no Instagram.

*Estagiário sob a supervisão de Severino Francisco




Regional Segura Elas
Prata da Casa (CLN 116 bloco A). 23 de outubro (quarta-feira), às 19h30. Ingressos a R$ 20 (meia-entrada) e R$ 40 (inteira), disponíveis no Prata da Casa, no site Paypal e no dia do evento.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação