Calorão no fim da seca

Calorão no fim da seca

A sexta-feira registrou novo pico de temperatura no ano, com 35,9ºC. Há 110 dias sem chuvas, a previsão é de este ser o último fim de semana da estiagem de 2019 no Distrito Federal

» MARIANA MACHADO
postado em 21/09/2019 00:00
 (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

A grama marrom e a poeira nas casas não deixam o brasiliense esquecer da secura: O Distrito Federal completa hoje 110 dias sem chuva. As temperaturas também não dão trégua e, ontem, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou novo recorde no ano: 35,9 ;C, marcados na estação meteorológica situada no Gama e em Águas Emendadas (Planaltina). As outras três estações tiveram registros semelhantes (veja Recorde).

Segundo a meteorologista Maiane Araújo, do Inmet, diversos fatores ajudam a explicar a diferença nas medições. ;Temperatura e umidade não são iguais em todos os pontos da área de um município. O local onde está a estação, por exemplo, interfere. No Plano Piloto, está cercada de prédios. Em outras, pode estar em vale ou em baixada, cercada de árvores;, detalha. De acordo com a especialista, o padrão deve ser mantido no fim de semana.

Ontem, a umidade relativa do ar chegou a 10%, o que significa estado de emergência. O instituto emite alertas à população a partir dos valores diários previstos. Abaixo de 12%, é classificado grande perigo, uma vez que a umidade é muito baixa. Nesses casos, há riscos para a saúde. Para a próxima semana, no entanto, a situação deve mudar, com expectativa de chuva a partir de quarta-feira. ;O prognóstico está se mantendo. Hoje, tivemos uma chuvinha no sul de Goiás, mas isso ainda não chega aqui. A qualquer momento da semana que vem poderemos ter pancadas;, destaca Maiane. ;Como são as primeiras, ainda serão irregulares. Podem vir fortes ou até com algum granizo isolado, já que está muito quente;, prevê.

E se o brasiliense sofre, quem vem de fora sente ainda mais a seca. O carioca Bruno Soares, 41 anos, está acostumado ao calor, mas a baixa umidade tem sido um problema. ;Eu tenho astigmatismo, e essa secura incomoda, principalmente a visão. Várias vezes joguei água no rosto para tentar aliviar. Estava no carro me sentindo incomodado e só percebi que era falta de água quando bebi um pouco;, revela.

Na cidade desde quinta-feira, ele e os colegas vieram gravar um documentário. Ontem, o grupo passou cerca de 10 horas trabalhando, a maior parte do tempo, sob o sol. ;Fiz imagens de drone o dia inteiro, é muito cansativo. Bebemos 12 garrafinhas de água para aguentar;, disse a documentarista Sofia Amaral, 35. A recompensa veio ao pôr do sol: cerveja gelada para rebater o calor.

Quem também passou o dia trabalhando ao ar livre foram as irmãs Silvânia Pires, 35, e Simone Pires, 42. Entre as 8h e as 17h, elas ficam em frente a uma oficina no Sudoeste lavando carros. ;Nessa época, a gente sente muito o calor, mas a secura é pior. Tem de usar muito protetor solar;, reclama Silvânia. ;A gente nunca acostuma, mas bebendo muita água, o sol não é dos maiores problemas;, acrescenta Simone.

Cuidados dobrados
Quem cuida de crianças e animais pequenos redobra a atenção durante o tempo quente. Com apenas 3 meses, Davi Alckimin toma dois banhos por dia. A mãe, a dona de casa Eliane Souza, 33, conta que procura vesti-lo com roupas frescas e deixá-lo sempre em locais arejados, como varandas. ;Ele nasceu no frio; então, fica um pouco enjoado nesse calor;, afirma a moradora de Ceilândia.

Para os animais, sobretudo os que têm muitos pelos, também não é fácil. A gestora de eventos Emily Santos, 31, mudou o horário de passear com a Bela, uma lulu-da-pomerânia. ;Normalmente, saímos às 17h, mas estou indo um pouco mais tarde, porque fica mais tranquilo. Durante o dia, vou trabalhar e deixo o ar-condicionado programado para refrescar a casa, além de muita água e alguns petiscos;, ressalta.



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