Cinco dias de julgamento

Cinco dias de julgamento

O conselho de sentença, responsável por condenar ou absolver a arquiteta Adriana Villela, é integrado por um juiz e sete jurados escolhidos entre 25 indicados antes do início da sessão. Eles ficarão incomunicáveis no tribunal até o veredito

» JÉSSICA EUFRÁSIO
postado em 23/09/2019 00:00
Titular da Vara do Tribunal do Júri de Brasília, o juiz Paulo Rogério Santos Giordano conduzirá o julgamento de Adriana Vilela, acasada de ser a mandante do assassinato dos pais delas e da empregada da fam[ilia. O conselho de sentença fica responsável pela condenação ou pela absolvição da ré e é composto pelo magistrado, além de 25 jurados, cujo quórum mínimo necessário para que a sessão comece é de 15 pessoas. Os nomes deles serão colocados em uma urna e haverá um sorteio para a seleção de sete, após análises de pedidos de dispensa, segundo as regras previstas em lei para garantir a imparcialidade.
Durante os cinco dias previstos para o julgamento, os sete jurados selecionados ficarão incomunicáveis, sem poder falar com outras pessoas ou manifestar opinião sobre o processo. Eles não poderão deixar o tribunal e ficarão sob acompanhamento constante para se alimentar, cuidar da higiene e passar a noite.
O grupo receberá cópias de peças do processo e acompanhará todas as sessões, podendo fazer perguntas intermediadas pelo juiz. No fim, o magistrado presidente fará questionamentos aos jurados sobre o crime, a autoria, a condenação ou a absolvição, a diminuição de pena, os atenuantes e a qualificadoras. Por fim, o magistrado lerá a sentença, levando em conta as considerações dos jurados e anunciando o resultado. As sessões serão abertas para interessados, mas com presença limitada à quantidade de assentos disponíveis no plenário.



As teses


O que diz a acusação

;Nossa tese é de que a Adriana foi a mandante do crime. (Em relação ao laudo das digitais,) está na legislação sobre a Polícia Civil que quem coleta, processa e faz essa apreciação dentro da polícia técnica do DF é o Instituto de Identificação. Na estrutura da PCDF, não pode haver contralaudos emitidos de um instituto contra o outro. Isso foi mais uma das irregularidades que ocorreu na Polícia Civil do DF, mas a direção-geral esclareceu esse fato. É uma briga corporativa que trouxeram para dentro do processo. O importante é que quem tem a expertise, conhecimento sobre essa matéria é o Instituto de Identificação. A única perícia dentro dos conteúdos técnicos é a do Instituto de Identificação, o resto são pareceres tentando derrubar argumentos. (Acerca do comportamento da Polícia Civil,) ele é sintomático, no sentido de tentar afastar a verdade. Foi um comportamento errado, que não tem como ser defendido, no sentido de afastar a Adriana do polo ativo do crime. Sabemos que não foi um latrocínio. O motivo é financeiro. Isso consta da denúncia.;

Maurício Miranda, promotor do Tribunal do Júri de Brasília



O que diz a defesa
;Não temos maiores preocupações com o júri. Achamos que fazer o júri, já que ela (Adriana) foi pronunciada, é uma necessidade. Temos confiança plena em nossa tese. Produzimos uma defesa muito forte. Na realidade, no processo penal, quem tem de produzir a prova é a acusação. No caso da Adriana, fomos além. Fizemos o que chamamos de prova negativa. Conseguimos fazer uma linha do tempo que comprova de forma cabal (o álibi de Adriana). A não ser que ela tivesse o dom da ubiquidade, para nós, essa linha do tempo comprova que ela não poderia estar na casa dos pais. Temos uma defesa técnica muito bem feita. Eles (acusação) gostam de atrapalhar a imagem da Adriana dizendo que ela era inimiga dos pais. Não há um único testemunho sério que demonstre qualquer tipo de animosidade entre Adriana e os pais. Nunca houve. São vários os amigos e parentes que fazem depoimentos favoráveis a ela. Várias outras pessoas são plenas em dizer que eles (família) tinham um relacionamento bom, com rusgas normais que acontecem entre pai e filho. Há uma deturpação da imagem dela. Vulgar, até, eu diria.;

Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay), advogado de Adriana Villela
; Memória


2009

Agosto

José Guilherme Villela, Maria Carvalho Mendes Villela e Francisca Nascimento da Silva são mortos a facadas no apartamento 601/602 do Bloco C da 113 Sul. O crime acontece entre as 19h30 e 20h30. Três dias depois, a polícia é acionada e encontra os corpos no apartamento. O caso fica sob a responsabilidade da 1; Delegacia de Polícia (Asa Sul).

Outubro

A paranormal Rosa Maria Jaques, moradora de Porto Alegre, se apresenta 1; DP com a ;missão espiritual; de ajudar nas investigações. Ela teria indicado à delegada Martha Vargas, responsável pelo caso, a localização da casa dos supostos assassinos.

Novembro

Com base na ajuda da vidente, agentes chegam a um lote em Vicente Pires e prendem dois homens. Segundo a polícia, no local, havia uma chave que abria a porta do imóvel dos Villela. O Instituto de Criminalística (IC) divulga laudo parcial com a dinâmica do triplo homicídio. Pelo menos dois criminosos atacaram as vítimas, que levaram, ao todo, 73 facadas.

A Justiça determina que o caso saia da alçada da 1; DP e vá para a Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida).
Um vizinho da dupla presa em Vicente Pires também é detido. Os três são mantidos na prisão por um mês como suspeitos do triplo homicídio, mas acabam liberados por falta de provas.

2010

Abril

Adriana Villela depõe na Corvida como suspeita do triplo assassinato. O Correio publica reportagem exclusiva mostrando que peritos da Polícia Civil comprovaram que a chave encontrada na casa de suspeitos em Vicente Pires havia sido fotografada no apartamento dos Villela no dia da primeira perícia. O objeto é descartado como prova.

Martha Vargas é exonerada da chefia da 1; DP. Os três homens presos em novembro passado afirmam que foram torturados por policiais daquela delegacia para confessar a participação no crime.

Agosto

Cinco pessoas são presas, entre elas, Adriana Villela e a paranormal Rosa Maria Jaques, sob a acusação de atrapalharem as investigações policiais e imputarem falsamente o crime a terceiros.

Setembro

Adriana é denunciada à Justiça pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). O Tribunal do Júri de Brasília aceita a den

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