Doações de US$ 500 milhões para florestas

Doações de US$ 500 milhões para florestas

postado em 24/09/2019 00:00
 (foto: Johannes Eisele/AFP
)
(foto: Johannes Eisele/AFP )


O Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e a ONG Conservação Internacional decidiram doar US$ 500 milhões adicionais para o reflorestamento da Amazônia e de outras florestas tropicais. A informação é da Presidência francesa. O anúncio formal foi feito durante a reunião sobre a Amazônia, ontem, no âmbito da Assembleia-Geral da ONU em Nova York, com a presença de vários chefes de Estado, como o presidente da França, Emmanuel Macron; a chanceler alemã, Angela Merkel; e os líderes de Chile, Colômbia e Bolívia, com a ausência do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

A União Europeia vai disponibilizar 190 milhões de euros como parte de seus programas de cooperação e desenvolvimento, enquanto a Conservação Internacional aportará US$ 20 milhões. O objetivo é financiar projetos para a preservação da biodiversidade, o desenvolvimento de uma cadeia de valor sustentável, gestão duradoura de solos, promoção de conhecimentos tradicionais e cooperação transfronteiriça.

Macron foi irônico sobre a ausência de Bolsonaro, ao mesmo tempo em que estendeu a mão a Brasília, que o acusa de interferência em assuntos internos. ;Quais são os nossos riscos? Primeiro, o elefante na sala, ou melhor, o que não está aqui, o Brasil! Todo mundo me pergunta, como vamos fazer sem o Brasil? O Brasil é bem-vindo;, disse ele,na tribuna. ;Precisamos de uma manobra inclusiva, respeitosa com cada um. Espero que, nos próximos meses, tenhamos condições políticas para avançar.;

Segundo Macron, outros riscos são ;que digamos números, palavras, mas sem resultados;. Existem tantos fundos e programas que ;o risco é dispersão, lentidão, ineficiência e que percebamos, seis meses depois, que os fundos não chegaram às populações afetadas;, ressaltou.

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, destacou a necessidade urgente de conservar florestas. ;Uma colaboração internacional é necessária e urgente, e existe uma vontade enorme;, disse o chefe de Estado, cujo país organizará a cúpula para a luta contra a mudança climática COP-25, em dezembro deste ano.

Programas
Três programas podem ser anunciados. O Banco Mundial planeja estabelecer um programa ;Pro Green;, com Alemanha e França, para financiar projetos da terra. Já o Banco Interamericano de Desenvolvimento financiará ações nos grandes estados da Amazônia.

Além disso, a ONG americana Conservação Internacional apoiará projetos locais liderados por organizações não governamentais, comunidades indígenas e empresas privadas. No total, cerca de US$ 500 milhões serão destinados a todas as florestas tropicais, disse o Palácio do Eliseu.

Esse valor, em empréstimos e doações, será adicionado às contribuições feitas por Alemanha e Noruega, principais doadores da floresta amazônica, mas que bloquearam os pagamentos ao Brasil para protestar contra a política do governo Bolsonaro.

Dadas as críticas do Brasil, que acusa a França de ingerência na soberania em sua parte da selva na Amazônia, Paris insistiu em que ;é uma iniciativa inclusiva;. ;Não se trata de questionar a soberania dos Estados, mas esses programas serão lançados independentemente da posição brasileira;, afirmou Macron.

Com 60% da maior floresta tropical do mundo em seu território, o Brasil tenta convencer o mundo de que tem a situação sob controle, depois que o forte desmatamento e a propagação de incêndios florestais causaram uma crise internacional em agosto passado.

Mourão alfineta
O presidente interino, Hamilton Mourão, afirmou, ontem, que o presidente francês Emmanuel Macron ;está tendo seus minutos de fama;. A resposta foi dada após o general ser questionado sobre a crítica que o chefe do Executivo francês fez em relação à ausência do presidente Jair Bolsonaro na Cúpula do Clima, ontem, na véspera da abertura da Assembleia-Geral da ONU. ;Eu podia me lembrar das palavras em francês, mas vou lembrar em inglês: He is getting his minutes of fame. Tá bom? Só isso;, alfinetou.

;Quais são os nossos riscos? Primeiro, o elefante na sala, ou melhor, o que não está aqui, o Brasil! Todo mundo me pergunta, como vamos fazer sem o Brasil? O Brasil é bem-vindo;
Emmanuel Macron, presidente da França

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação