Witzel promete rigor três dias depois

Witzel promete rigor três dias depois

Deborah Fortuna
postado em 24/09/2019 00:00




Três dias após o assassinato da menina Ágatha Félix, 8 anos, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, falou pela primeira vez sobre o crime em coletiva de imprensa no Palácio Guanabara, na manhã de ontem. Em discurso ao lado do secretário da Polícia Civil do RJ, Marcus Vinícius Braga, e do coronel Rogério Figueredo, secretário da Polícia Militar, Witzel afirmou que investigará ;com rigor; a morte da menina, e culpou o crime organizado pelos confrontos no estado.

;Infelizmente, eles agem sem pudor, sem qualquer sentimento pela vida alheia e provocam a polícia com disparos de arma de fogo, provocam operações;, disse. ;A polícia sempre age na legítima defesa da sociedade. Eu reafirmo que as investigações vão ser conduzidas com grande rigor;, acrescentou.

Witzel começou o discurso afirmando que é pai de uma menina de 9 anos, e que presta ;solidariedade aos pais e aos familiares [de Ágatha], que Deus a receba, um anjo que se foi e certamente deixará saudade;. O governador afirmou que, durante o fim de semana, chegou a conversar com autoridades sobre o caso. Entre eles, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Até o fechamento da edição, o presidente Jair Bolsonaro não se manifestou, nem por meio do Twitter, sobre o crime. Já o vice-presidente Hamilton Mourão disse, ontem, que a morte de Ágatha é o resultado da ;guerra do narcotráfico;.

O que aconteceu
Na última sexta-feira, Ágatha estava dentro de uma Kombi no Complexo do Alemão, com a família, quando foi atingida por um disparo de fuzil nas costas. A PM diz que policiais trocaram tiros com bandidos. Já moradores contestam a versão. Segundo eles, os PMs atiraram em homens em uma moto e acabaram acertando a criança. Ela chegou a ser levada para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na madrugada do último sábado. Ela foi sepultada no domingo, no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte. Ela foi a quinta criança morta por bala perdida este ano.

Em depoimento, no sábado, o motorista da Kombi em que Ághata estava, afirmou que a menina foi atingida enquanto a família abria o porta-malas do veículo para pegar as bolsas. Segundo o advogado da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) Rodrigo Mondego, que acompanhou o testemunho, o motorista disse que saiu do veículo para ajudar a família quando viu dois homens sem camisa em uma moto e um policial atirando.

Como não havia confronto, segundo o condutor, ele chegou a acalmar as pessoas, pois achou que os disparos tinham sido dados para cima. No depoimento à polícia civil, ele disse que não viu armas nas mãos dos dois rapazes e que, se eles fossem atingidos, seria uma execução, porque não havia confronto no momento dos disparos. A versão oficial da Polícia Militar é de que Ágatha teria sido ferida numa troca de tiros entre policiais e criminosos.



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