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postado em 24/09/2019 00:00
Ética

Pela contundência, ousadia e perspicácia, vale a pena conferir a reflexão feita pelo escritor e jornalista Lima Barreto (1881-1922), na crônica Elogio da morte (A.B.C., de 19/10/1918): ;A vida não pode ser uma dor, uma humilhação de contínuos e burocratas idiotas; a vida deve ser uma vitória. [...] A covardia mental e moral do Brasil não permite movimentos de independência; ela só quer acompanhadores de procissão, que só visam lucros ou salários nos pareceres. Não há, entre nós, campo para as grandes batalhas de espírito e inteligência. Tudo aqui é feito com o dinheiro e os títulos. A agitação de uma ideia não repercute na massa, e quando esta sabe que se trata de contrariar uma pessoa poderosa, trata o agitador de louco. Estou cansado de dizer que os malucos foram os reformadores do mundo. [...] São eles os heróis; são eles os reformadores; são eles os iludidos; são eles que trazem as grandes ideias, para melhoria das condições da existência da nossa triste humanidade. Nunca foram os homens de bom senso, os honestos burgueses ali da esquina ou das secretarias chics que fizeram as grandes reformas no mundo;. O mundo da vida é heterogêneo, mas eficaz como construtor de crenças e valores que se articulam em hábitos passivos e controlados. Se ignoro a injustiça, a miséria, a dor, o sofrimento, posso estar em paz com a lei, mas estarei em séria falta com a ética. A lei pode gerar cidadãos aceitáveis, mas é a ética que forma sujeitos decentes. Significa que não basta deixarmos de praticar injustiças. Precisamos combatê-las também. Em outras palavras, a ética exige um engajamento positivo, afirmativo, para promover o bem.
; Marcos Fabrício Lopes da Silva,
Asa Norte


Insegurança

Temos as melhores polícias com os melhores salários do Brasil no Distrito Federal. Entretanto, na prática, a população tem a sensação de insegurança total. No último sábado, saí da Asa Sul com destino a Taguatinga Norte. No percurso, pasmem, não vi uma viatura policial nas ruas. Quando retornei, também não vi. Eu acho que trabalham em regime de escala. Se é assim, por que que, nos fins de semana e feriado, diminui drasticamente o número de policiais e viaturas nas ruas? Segundo o Detran, há 800 mil veículos devendo impostos. Por que não realizar mais blitz? Por último, ficamos assustados com o assassinato violento do padre Casemiro, dentro da própria igreja, onde era pároco. Assim não dá, senhor governador!

; Sebastião Machado Aragão,
Asa Sul

; É possível acabar com a criminalidade e a violência em nossa sociedade? Evidente que não, pois o crime como um fato social pertencente a qualquer sociedade, apenas mudando de forma com o passar do tempo. Sob o calor midiático, a maior parte da população brasileira clama por mais rigor na legislação penal, como se apenas o ordenamento jurídico fosse suficiente para trazer uma maior tranquilidade ante o crescimento desenfreado da criminalidade no país. Entre 1945 e 2015, houve no Brasil mais de 150 reformas penais, muitas delas tornando as leis mais duras, porém os índices de criminalidade e violência ainda continuam elevados. Infelizmente, existe também uma cultura na sociedade brasileira de que vidas são descartáveis, e isso inclui a vida de policiais mortos, jovens assassinados e bandidos executados. Essa consciência brasileira generalizada, inspirada pelo ato de matar, torna o Brasil o campeão mundial de homicídio. É notória a falência do controle social informal no Brasil, representado, sobretudo, pelo desemprego, pelo papel da família, da escola, das igrejas, dos meios de comunicação em massa, entre outros. Lamentavelmente, evidencia-se o enfraquecimento do controle social informal que está se tornando inoperante, deixando de trazer a sua importante contribuição na prevenção da criminalidade e violência. Portanto, o assunto deve ser encarado por representantes do Estado e, principalmente, por toda a população brasileira, que deve exigir do poder público medidas eficazes para reduzir a desigualdade social.
; Renato Mendes Prestes,
Águas Claras


Meio ambiente

Nesta terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro discursará na Organização das Nações Unidas. A imprensa antecipou que ele defenderá a soberania nacional, devido às críticas das nações desenvolvidas à política ambiental (ou à ausência dela) no país. Observo que alguns leitores, claramente eleitores do presidente, tentam absolver o governo fazendo um contra-ataque às nações que, no passado, dizimaram suas florestas e com elas perderam espécies animais importantes ao equilíbrio dos ecossistemas. Ora, não é porque os ancestrais dos atuais líderes europeus e norte-americanos agiram, com dolo, contra o patrimônio natural (flora e fauna) e exterminaram várias etnias, que o Brasil terá que agir da mesma forma. A maioria dos líderes reconhecem os erros do passado e quando defendem a preservação da Amazônia e dos demais biomas brasileiros, emitem sinais para que não venhamos repetir a estupidez que ocorreu em terras estrangeiras. Não podemos cair na cilada dos meandros do obscurantismo. Estamos no século 21. É um outro tempo, e a ciência demonstrou fartamente que a vida humana depende de uma relação harmoniosa das pessoas com a natureza. Degradar o planeta é uma ação suicida.

; Joaquim Honório,
Asa Sul

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