"Pesar e gratidão imensa"

"Pesar e gratidão imensa"

postado em 24/09/2019 00:00
 (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)



Durante a tarde, religiosos celebraram outra cerimônia de despedida do padre Kazimierz Wojno. Por volta das 14h, mais de 1,2 mil pessoas se aglomeraram na Paróquia Nossa Senhora da Saúde. A solenidade, presidida pelo arcebispo de Brasília, Dom Sérgio da Rocha, começou com louvores entoados por frequentadores da igreja e durou duas horas e meia. ;Estamos reunidos com muito pesar e dor, mas com gratidão imensa ao padre pelo dom da vida que ele ofereceu a Brasília. Trazemos no coração a tristeza e um pedido de misericórdia a Deus por aqueles que praticam a violência e um desejo sincero de justiça e paz;, enfatizou Dom Sérgio da Rocha.

Servidora pública, Lijerka Leite, 35 anos, frequenta a Paróquia São Francisco de Assis, na 915 Norte, mas esteve na igreja Nossa Senhora da Saúde para prestar homenagens a Casemiro. ;Ele era um verdadeiro pai. Uma vez, passamos a tarde inteira conversando e ele me relatou sua história de vida, de quando veio para o Brasil e as dificuldades que enfrentou no período pós-Segunda Guerra Mundial, na Polônia. Toda a trajetória dele é comovente. O que mais me impressiona é ver a pessoa boa que ele se tornou;, recorda-se Lijerka.

À segunda cerimônia, estiveram presentes o representante do papa no Brasil, Dom Giovanni D;Aniello, e seis diplomatas da Embaixada da Polônia. Marta Olkowska, encarregada do setor de finanças da sede de representação do país, lamentou o ocorrido e comentou que a instituição mediou o contato com dois irmãos e um sobrinho de Casemiro, na Polônia. Segundo ela, a família não pôde comparecer ao velório por causa da distância. ;Os parentes dele vivem em uma área rural do país, a mais de 14 mil quilômetros (do Brasil). Mas eles nos solicitaram, por e-mail, fotos do funeral como forma de recordação;, afirmou Marta.




O adeus

Orações, canções religiosas e tristeza marcaram o momento do sepultamento do padre Casemiro. Por volta das 17h, mais de 300 pessoas se reuniram no cemitério Campo da Esperança para se despedir do sacerdote. O vigário episcopal do Vicariato Norte Cristiano Sanches dirigiu a cerimônia de despedida e fez menção a todos que sofrem e morrem por causa da violência. Ao final, todos ficaram em silêncio por um minuto, como forma de homenagear Casemiro.

A empresária Thalita Swietochowska, 20 anos, acompanhou todo o velório. Ela e o marido, Jack Swietochowska, 32, conheceram o padre há dois meses para pedir permissão de gravar um curta-metragem dentro da paróquia. ;Gravaríamos uma cena dentro da igreja e, quando fomos pedir a ele, fomos bem recepcionados, com simpatia, e ele sempre muito sorridente;, recordou-se.

Com a morte do padre, a jovem decidiu elaborar um documentário contando a história de vida de Casemiro.
A servidora pública Maria Reis, 52, também lamentou a morte do pároco. Ela conta que era tradição sair do trabalho, na Asa Norte, e ir direto para a paróquia assistir à missa dele. ;O padre Casemiro era uma pessoa doce. Ele era um homem de fé e paz. Sempre brincalhão, fazia todos rirem. O que fizeram com ele é inacreditável, ainda mais um homem indefeso e tão bom;, ressaltou.

*Estagiária sob supervisão de
José Carlos Vieira

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação