Morto por reconhecer bandidos

Morto por reconhecer bandidos

O padre Casemiro não teve condições de reagir ao assalto por ter sido rendido e amarrado. Para investigadores da Polícia Civil, sacerdote foi assassinado por asfixia para não delatar criminosos que planejaram o roubo

Sarah Peres
postado em 24/09/2019 00:00
 (foto: Paróquia Nossa Senhora da Saúde/Reprodução)
(foto: Paróquia Nossa Senhora da Saúde/Reprodução)


Cerca de 40 agentes da 2; Delegacia de Polícia (Asa Norte) estão nas ruas desde a manhã de ontem na tentativa de elucidar o latrocínio ; roubo seguido de morte ; do padre Kazimierz Wojno, o padre Casemiro, 71 anos. Quatro homens são suspeitos de render o sacerdote e amarrá-lo nas mãos e nos pés. Eles também enrolaram um fio de arame liso no pescoço da vítima e podem ter usado o objeto para asfixiá-lo. O crime aconteceu na noite de sábado, no terreno de uma obra na Paróquia Nossa Senhora da Saúde, na 702 Norte.

Na tarde de ontem, o laudo que analisou as circunstâncias da morte do padre confirmou o assassinato por asfixia. A hipótese principal dos investigadores é de que o sacerdote tenha sido morto após ter reconhecido um dos criminosos. Como eles deixaram objetos usados na cena do crime, os materiais foram apreendidos para análise das impressões digitais.

Peritos da Polícia Civil ainda trabalham para identificar o quarteto filmado pelo circuito interno de segurança da igreja. Os suspeitos aparecem pulando o muro do terreno da paróquia e aguardando o religioso, rendido cerca de 30 minutos após celebrar a missa de sábado. Eles ficaram com a vítima por mais de duas horas, segundo apuração da 2; DP.

Filmagem
A filmagem foi encaminhada ao Instituto de Criminalística (IC), para análise. De acordo com fontes da polícia, o material estava em baixa qualidade e, por isso, não pode ser usado para identificar os suspeitos de forma imediata. Ainda não há previsão de quando sairá o resultado da análise do material.

Enquanto isso, os policiais tentam chegar a novas testemunhas que possam passar informações sobre os criminosos. Os investigadores também buscam outros possíveis envolvidos no crime que tenham fornecido detalhes sobre os cofres que o padre mantinha na residência anexa à paróquia. Até o fechamento desta edição, os criminosos ainda não haviam sido presos.



Entrevista / Laércio Rosseto, delegado-chefe da 2; DP


;O objetivo eram os cofres;

; JÉSSICA EUFRÁSIO

À frente das investigações sobre o assassinato do padre Kazimierz Wojno, 71 anos, vítima de latrocínio no sábado, o delegado-chefe da 2; Delegacia de Polícia (Asa Norte), Laércio Rosseto, concedeu entrevista ao CB.Poder ontem. Durante o programa, parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília, deu detalhes acerca do andamento do caso e afirmou que aguarda o resultado dos laudos da perícia.
O delegado comentou também sobre a sensação de insegurança da população após o crime, estatísticas da Secretaria de Segurança Pública, a paridade da Polícia Civil e os erros de investigação do crime da 113 Sul (leia mais nas páginas 21 e 22).







É possível que exista mais gente envolvida na morte do padre Kazimierz Wojno, conhecido também como padre Casemiro, além dos quatro identificados nas imagens?
Sim. A investigação ainda está em fase inicial, apesar de termos feito bastante coisa. Principalmente no que diz respeito ao levantamento pericial, que é fundamental para que possamos ter provas técnicas. Mas a gente também trabalha com outras pessoas que possam estar envolvidas no que diz respeito à passagem de investigações privilegiadas. Quem cometeu esse bárbaro crime sabia muito bem o que ia fazer nesse dia, onde achar os objetos. Houve informação privilegiada, que foi repassada a esses autores.

O senhor acredita que eles planejavam assassinar o padre também ou pode ter sido no momento do confronto?
Esse crime pode ser dividido em várias fases. Uma delas demonstra que houve, sim, premeditação e um planejamento. Não são pessoas que chegaram lá sem saber onde procurar e como proceder. Até porque um dos cofres arrombados traz muita segurança. Ele tem 1,5 metro de altura e é todo concretado. De maneira que eles até usaram ferramentas que estavam no local. A maior parte delas pertencia ao padre, que estava lá. Ele tem uma oficina lá. Eles conseguiram ficar cerca de duas horas e meia a três horas na casa. Não houve nenhuma necessidade de matar o padre Casemiro. A não ser que ; e aí vem a questão técnica da experiência profissional ; ele tivesse reconhecido e pudesse nos dizer quem teria cometido esse crime. Porque ele estava totalmente mobilizado, subjugado, foi rendido cerca de 20 a 30 minutos após o término da missa que havia celebrado. E ele foi surpreendido quando estava a alguns metros da residência dele. São várias equipes que estão trabalhando. A Polícia Civil inteira está imbuída em dar resposta para a sociedade da maneira mais rápida possível.

O que é importante no momento de elucidar um crime como esse?
Quanto mais célere, mais rápida for a ação, melhor é para conseguirmos desvendar e tentar ter toda a dinâmica (do crime). Tanto é que, quando fazemos o deslocamento, a primeira providência é isolar o local do crime e começar a ouvir as primeiras testemunhas que surgem. Porque o local do crime ; para o investigador, perito criminal, delegado, para os agentes ; conversa com a gente. É uma coisa interessante como você chega ao local do crime e ele começa a conversar conosco. Essa preservação foi essencial. Todos os fragmentos e vestígios foram devidamente preservados.

É possível que o crime tenha sido praticado por alguém que tivesse convívio com o padre ou que conhecesse muito bem a rotina dele?
Com certeza. Tenho uma máxima que (diz) ;debaixo do sol, tudo é possível;. Todas as pessoas trazem um certo nível de suspeição durante a investigação policial. Porque não haveria como essas informações serem repassadas da forma que foram.

O que tinha de valor na casa do padre que levou a esse crime? O que eles foram buscar?
Existem ainda muitas obras de arte lá. O ambiente é bem rico nessas obras, pinturas etc. Mas isso, deixamos para um segundo momento, porque eles foram diretamente ao cofre. Havia mais de um cofre, inclusive. Todos foram abertos. Eles saíram de lá com mochilas e não levaram nenhuma dessas obras. Talvez alguma prataria também. Mas o objetivo era subtrair o que estava dentro do cofre. Achamos algumas caixas de relógios caros vazias. Quantificação do numerário ou de joias, não posso dar, porque quem tinha conhecimento do que havia no interior era somente o padre Casemiro. Mas, ao longo da investigação, e a gente conseguindo fazer a prisão desses autores, podemos tentar recuperar o que foi subtraído.

Os moradores da região se sentem muito inseguros. O que pode ser feito para mudar isso?
Vou dar uma visão como delegado de polícia e como cidadão brasiliense. Nasci em Brasília, em 1969. Tenho muito amor

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