Mais um preso no DER-DF

Mais um preso no DER-DF

Servidor é suspeito de integrar quadrilha que cobrava propina para retirar do sistema do departamento multas de motoristas infratores e até devolução de carteiras de habilitação apreendidas em blitz

Agatha Gonzaga
postado em 24/09/2019 00:00
 (foto: Divulgação/ MPDFT)
(foto: Divulgação/ MPDFT)


Um servidor público entrou para lista dos envolvidos no esquema de corrupção do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF). É a quarta pessoa presa preventivamente desde o início da Operação Trânsito Livre, deflagrada, em 28 de agosto, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (Gaeco/MPDFT), com auxílio do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar.

Nesta terceira fase, além da prisão do servidor, a investigação cumpriu dois mandados de busca e apreensão, sendo um no 3; Distrito Rodoviário do DER-DF e outro, na casa de um dos suspeitos. Os servidores são acusados de envolvimento em um esquema de corrupção, onde prometiam o perdão de multas e a devolução de carteiras nacionais de habilitação (CNH) em troca de propina.

De acordo com o MPDFT, a ligação do quarto investigado foi descoberta após análise do material apreendido nas fases anteriores da operação. A apuração apontou que o homem era o responsável por identificar os motoristas infratores após a apreensão dos documentos, e, depois de acessar os sistemas do DER, fornecia os números telefônicos aos demais integrantes do grupo fraudulento, para que solicitassem a propina. O valor chegava a custar cerca de R$ 1,5 mil, estimativa aproximada à metade do que custaria a multa.

Na primeira fase da operação, outro servidor do DER, a mulher dele e um funcionário comissionado da Secretaria de Segurança Pública também foram presos preventivamente. Uma motorista também é alvo das investigações, por ter pago propina ao grupo para que uma multa fosse retirada e a carteira, devolvida. Os investigadores cumpriram mandados de busca e apreensão na residência dela, onde encontraram um auto de infração e outro, do extrato do teste de alcoolemia, com a informação de que a motorista se recusou a soprar o bafômetro.

Corrupção
De acordo com as apurações do MP, a condutora combinou com o grupo criminoso que destruiria os documentos. Não havia registro da infração no sistema do DER em razão do pagamento de propina, segundo os investigadores. O MP afirma que há indícios de corrupção ativa.

No total, segundo o órgão, foi oferecida à Justiça denúncia de nove pessoas, sendo quatro por organização criminosa e corrupção passiva e cinco, por corrupção ativa. Outros servidores do órgão, além de condutores, continuam sendo investigados.

Por meio de nota, o DER informou que está colaborando com as investigações e que não daria mais informações sobre o assunto. Ainda assim, na primeira fase da investigação, o órgão informou que um processo administrativo para apuração das denúncias apresentadas contra o primeiro servidor preso foi instaurado, e que, ;após a soltura, (ele) continuaria trabalhando normalmente, em outro setor do departamento, até que a investigação das denúncias seja finalizada;.

Já o funcionário que exercia a função de assessor técnico da chefia de gabinete da Secretaria de Segurança Pública, também preso na primeira fase da operação, foi exonerado assim que o secretário Anderson Torres soube das evidências de envolvimento dele nos crimes sob investigação pelo Ministério Público.


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Número de pessoas presas envolvidas no esquema dentro do DER-DF




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