Clássico do hard rock

Clássico do hard rock

Festival Rock ao vivo traz a banda alemã Scorpions ao Ginásio Nilson Nelson: guitarrista Matthias Jabs promete clássicos e loucura moderada

Nahima Maciel
postado em 24/09/2019 00:00
 (foto: Divulgação/Scorpions)
(foto: Divulgação/Scorpions)



O guitarrista alemão Matthias Jabs tem ótimas lembranças de Brasília e do Brasil, especialmente do show no Rock in Rio de 1985. Eram, ele lembra, dias ;muito loucos;. De lá pra cá, o Scorpions envelheceu, a média de idade passou de 25 para 60 anos, a loucura no palco diminuiu (um pouco) e Jabs garante que a banda está ;saudável; e que a quantidade de fãs aumentou. Amanhã, quando o guitarrista sobe ao palco para tocar com o Scorpions, ele conta observar uma geração de jovens nas fileiras em frente ao palco, um fenômeno que atribui às redes sociais, mas também à combinação rock pesado com elementos pop, à qual a banda se entregou e nunca deixou de praticar.

É essa mesma mistura que o guitarrista promete para o show de amanhã na primeira edição do Rock ao vivo, que terá também a banda Helloween, no Ginásio Nilson Nelson. O Scorpions toca ainda no Rock in Rio, na capital fluminense, em 4 de outubro, e divide o line up con Iron Maiden e Slayer. Os shows no Brasil fazem parte do Crazy world tour, mesmo nome adotado para a turnê de 1989, mas sob uma perspectiva bem diferente. ;Estamos usando esse nome novamente de propósito;, avisa Jabs. ;Para nós, o mundo parece estar muito mais louco do que há 30 anos. Estamos dando tantos passos para trás; Esperávamos, há 30 anos, que o mundo estaria unido, em paz. Mas, ao contrário, o que tem acontecido é que estamos vendo uma série de políticos, em muitos países, egomaníacos, que não conversam com os outros, que só gostam de ouvir a si mesmos, e isso não facilita as coisas. Definitivamente, é um mundo muito mais louco o de hoje.;

Há 34 anos, quando o Scorpions subiu ao palco do Rock in Rio para tocar para uma plateia de 55 mil pessoas, o nível de loucura da banda oscilava alguns graus acima do de hoje. Na época, o vocalista Rudolf Schenker chegou a machucar a cabeça com a guitarra enquanto corria pelo palco. O sangue escorrendo durante a apresentação virou espécie de emblema da impulsividade roqueira. Hoje, Jabs garante que a banda está mais comportada. ;Nós estamos muito saudáveis, corremos muito ainda e os shows são cheios de energia, mas somos bem mais velhos agora, somos 34 anos mais velhos, mas ainda estamos saudáveis;, garante, após lembrar de um episódio, em Vancouver (Canadá), quando ele e Rudolf se machucaram ao bater as cabeças durante a gravação de um vídeo. ;Isso acontecia mais quando corríamos loucamente pelo palco;, lembra. ;Nosso empresário costumava dizer que o Scorpions precisa de semáforos no palco, porque éramos tão selvagens e loucos que, às vezes, as coisas aconteciam, um microfone uma vez voou e acertou Rudolf na cabeça, sempre Rudolf.;

Desde o primeiro álbum, Lonesome crow, em 1972, foram 20 discos de estúdio e seis ao vivo. Jabs não está na banda desde o início. Ele entrou em 1978, ao 23 anos, depois de tocar em outra banda, Fargo, que fazia covers do Scorpions. A longevidade do grupo, ele atribui à amizade: ;Somos muito amigos, gostamos do que fazemos e gostamos de tocar nossa música. Acho que é algo que está no nosso DNA, algo que amamos fazer, não consideramos um trabalho, é nossa vida;.

Uma das coisas que mais impressiona Jabs nos últimos 10 anos é a presença de jovens nos shows, fruto, acredita, da grande popularidade das redes sociais. ;Lá, eles podem ver bandas no palco que nunca haviam ouvido antes. Ao longo dos últimos 10 anos temos uma audiência jovem no mundo todo, e especialmente no Brasil, que cresce rapidamente. Vemos esses rostos jovens nas primeiras filas dos shows, e isso é muito motivador;, diz o guitarrista, que encara a internet como instrumento eficiente de divulgação. ;É uma maneira rápida de comunicar, uma maneira rápida de se expressar e milhões de pessoas usam todos os dias. É uma boa via de comunicação, definitivamente, e de se tornar conhecido, publicar algo e colocar de maneira oficial dar as informações que você quer dar; Éramos muito dependentes da mídia impressa ou da TV e isso nos deixa muito mais independentes;, compara.

O vocalista Rudolf Schenker costuma dizer que a audiência jovem trouxe novas responsabilidades para o Scorpions. Como há crianças e adolescentes entre os fãs, o rock teria que ser apresentado ;da maneira correta;, refletiu Schenker em algumas entrevistas. Jabs brinca que não sabe o que o amigo quis dizer com isso, mas tem uma certeza: ;Eu diria que você só consegue convencer outras pessoas se você mesmo estiver convencido sobre o que está fazendo. E nós estamos convencidos do que estamos fazendo. Acho que esse é o jeito certo;.

Para o show de amanhã, o guitarrista promete hits como Still loving you e Like a hurricane, alguns medleys, mas nada de inédito. A banda trabalha em um disco, programado para ser lançado em 2020, mas ainda não revela as novidades nos shows. Jabs explica que, com a qualidade das gravações em celulares e a velocidade de circulação das redes sociais, tocar músicas novas no show estragaria as surpresas do novo álbum.


Rock ao vivo
Com Scorpions e Helloween. Amanhã, às 21h, no Ginásio Nilson Nelson. Ingressos de R$ 160 a R$ 840.



Quatro perguntas/Matthias Jabs


Você falou que anda desencantado com a política contemporânea. Mas tem esperança no futuro?
Diz que a esperança morre por último; Eu sempre tenho esperança de que venha o melhor. Talvez seja fé, talvez as pessoas achem um pouco naif que tudo vai estar em paz algum dia. Talvez estejamos indo na direção oposta, mas a boa notícia é que alguns desses presidentes que estão aí só podem ser eleitos duas vezes. Depois, outra pessoa vem. Então, sempre tenho a esperança de que essas pessoas não vão durar para sempre. Mas ainda há muito tempo pela frente;


Sei que você teve uma experiência bonita na Amazônia, fez show por láe também visitou a floresta. Qual
seria sua mensagem hoje, quando as queimadas andam mais intensas que o normal na destruição da mata?
Primeiro, não consigo entender como as pessoas não estão combatendo o fogo. O fogo está queimando em muitos lugares, não entendo que simplesmente deixam acontecer. Para mim, é inacreditável. Eu acho que devíamos olhar para esse planeta como um só, como uma casa para todos nós, para todas as pessoas, para os brasileiros. Nós precisamos do Saara, da floresta e do gelo da Groenlândia. Tudo isso junto é o nosso planeta, não é s

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