Um Emmy que surpreendeu

Um Emmy que surpreendeu

Adriana Izel
postado em 24/09/2019 00:00
 (foto: Frederic J. Brown/AFP)
(foto: Frederic J. Brown/AFP)

Esperava-se que a série Game of thrones fosse a grande protagonista da noite de domingo durante a cerimônia da premiação do 71; Emmy Awards, em Los Angeles. No entanto, a fantasia com base nos livros de George R.R. Martin ficou à sombra da comédia britânica Fleabag, a maior vencedora do prêmio, levando quatro estatuetas. Esse, inclusive, foi um dos pontos positivos do Emmy 2019, já que GoT encerrou sua trajetória em uma temporada contestada, que nem de longe faz jus à história iniciada em 2011 e que se tornou um marco na televisão.

Das 32 indicações ; recorde para uma produção no Emmy ;, Game of thrones levou 12 para casa. Dez entre as técnicas, que já haviam sido entregues na semana anterior, e apenas duas na cerimônia da premiação televisionada: melhor série dramática ; muito mais pelo conjunto da obra ; e melhor ator coadjuvante em série dramática para Peter Dinklage, que levantou o prêmio pela quarta vez. Ele já havia conquistado pelo mesmo personagem, Tyrion Lannister, em 2018, 2015 e 2011. Dinklage fez um discurso que mostrou que até o elenco não ficou satisfeito com o encerramento de GoT: ;Atravessamos literalmente gelo e fogo por vocês;, disse se direcionando aos criadores David Benioff e D.B. Weiss, uma referência à enxurrada de críticas.

Apesar dos olhos estarem vidrados em Game of thrones, foi a jovem atriz Phoebe Waller-Bridge que monopolizou a noite. Ela é criadora, roteirista e protagonista da série Fleabag, comédia britânica que foi distribuída pela Amazon Prime Vídeo. Completamente autoral, com um humor diferenciado e uma protagonista fora do habitual, a produção desbancou a favorita Veep, que tinha a oportunidade de sair da cerimônia premiada pela última vez, já que a série foi encerrada neste ano em sua sétima temporada.

A vitória de Fleabag surpreendeu, mas foi bastante justa. A série cômica estava no radar dos críticos. A produção deixou a cerimônia com quatro estatuetas: melhor série de comédia; melhor atriz de comédia (Phoebe Waller-Bridge); melhor direção de comédia (Harry Bradbeer); e melhor roteiro de comédia (Phoebe Waller-Bridge). ;Obrigada por mostrarem que uma pessoa tresloucada pode ganhar um Emmy;, definiu Phoebe em um dos discursos, demonstrando a surpresa pelo prêmio.


Novos vencedores

A hegemonia da comédia britânica mostrou também que a tevê norte-americana abriu as portas de vez para os ingleses. Além dos prêmios para Fleabag, mais britânicos estiveram no holofote. Jodie Comer foi sagrada a melhor atriz em série dramática por Killing Eve e a minissérie Chernobyl, uma coprodução entre EUA e Reino Unido, desbancou a concorrente Olhos que condenam deixando a noite com três estatuetas: melhor minissérie, melhor roteiro em minissérie ou telefilme (Craig Mazin) e melhor direção em minissérie ou telefilme (Johan Renck).

Em uma noite que não se firmou em obviedades, mais surpresas apareceram nos prêmios para Ozark, de melhor direção para Jason Bateman e de melhor atriz coadjuvante para Julia Garner; para Pose, que levou o protagonista Billy Porter ao palco para receber a estatueta de melhor ator em série dramática, se tornando o primeiro homossexual assumido a conquistar um Emmy na categoria; e para Succession, lembrada em melhor roteiro em série dramática para Jesse Armstrong.

Entre as minisséries, apesar do destaque para Chernobyl, a academia fez uma distribuição. Teve prêmio para Fosse/Verdon (melhor atriz para Michelle Williams); Olhos que condenam (melhor ator para Jharrel Jerome); A very english scandal (melhor ator coadjuvante para Ben Whishaw); e The act (melhor atriz coadjuvante para Patricia Arquette). Na comédia, ainda teve espaço para estatuetas para Barry (melhor ator para o protagonista Bill Hader) e The marvelous Mrs. Maisel, que ficou com as duas categorias de coadjuvantes, com prêmios para Alex Borstein, mais uma vez, e Tony Shalhoub.


Formato desgastado

Mesmo com uma noite com surpresas no quesito das premiações, a cerimônia do Emmy mostrou que os formatos de prêmios andam desgastados. Sem apresentador, pela primeira vez desde 2003, a noite até fluiu de forma mais rápida. Porém a insistência desse tipo de solenidade para que os convidados para apresentar os prêmios façam piadas se mostra cada vez mais cansativa.

Outros momentos se mostraram desnecessários na cerimônia, como o número musical de Adam DeVine, que de nada acrescentou na noite. Alguns prêmios poderiam também migrar para a solenidade conhecida como a prévia do Emmy, a exemplo das estatuetas para produções na categoria de variedades, que, em sua maioria, premiam os mesmos. Os grandes destaques da noite foram Ru Paul drag;s race (melhor reality show de competição), Saturday night live (melhor direção em série de variedades e melhor programa de esquetes) e John Oliver (melhor talk show e melhor roteiro em série de variedades).

Os discursos comemorativos também foram fracos. Poucos usaram o tempo de tela de forma positiva. Mas os que aproveitaram fizeram bom o uso. Foi o caso de Jharrel Jerome, que foi ovacionado pelo público assim que subiu e fez questão de lembrar os cinco exonerados do Central Park, que tiveram a história contada em Olhos que condenam.




Altos de baixos


O que valeu a pena


; O reconhecimento a Phoebe Waller-Bridge e Jharrel Jerome (foto)
; O ineditismo do prêmio a Billy Porter, o primeiro homossexual assumido a conquistar a estatueta
; A força de Ozark após ter sido ignorada na temporada passada

O que não valeu a pena


; O número musical de Adam DeVine (foto)
; O prêmio injusto para Black mirror na categoria de telefilme
; As constantes piadas dos apresentadores dos prêmios


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