O dia dos pobres

O dia dos pobres

DOM JOSÉ FREIRE FALCÃO Cardeal
postado em 05/10/2019 00:00



Os pobres são lembrados durante as campanhas eleitorais, porque são objetos de votos. Mas esquecidos após as eleições. A opção evangélica pelos pobres, contudo, não é um ato político, mas uma exigência da fé cristã. Em sua mensagem para o Tercero Dia Mundial dos Pobres, em 17 de novembro, o papa Francisco nota: ;A desigualdade gerou um grupo considerável de indigentes, cuja condição é ainda mais dramática, quando comparada com a riqueza alcançada por poucos privilegiados. Para esses poucos, a crise econômica não impediu um enriquecimento tanto mais anômalo quando confrontado com o número imenso de pobres que vemos pelas nossas estradas, aos quais falta o necessário; por vezes, humilhados e explorados;.

;Todos os dias encontramos famílias obrigadas a deixar a sua terra à procura de formas de subsistência noutro lugar; órfãos que perderam os pais ou foram violentamente separados deles para uma exploração brutal; jovens em busca de uma realização profissional, cujo acesso lhes é impedido por míopes políticas econômicas; vítimas de tantas formas de violência, desde a prostituição à droga, e humilhados no seu íntimo. Além disso, como esquecer os milhões de migrantes, muitas vezes, instrumentalizados para uso político, a quem se nega a solidariedade e a igualdade? E tantas pessoas sem abrigo e marginalizados que vagueiam pelas estradas de nossas cidades?;

;Quantas vezes vemos os pobres nas lixeiras a catar o descarte e o supérfluo, a fim de encontrar algo para se alimentar ou vestir. Tendo-se tornado, eles próprios, parte de uma lixeira humana. São tratados como lixo, sem que isto provoque qualquer sentido de culpa. E quantos são cumplices deste escândalo;. ;Reconhecemos uma multidão de pobres, mas, muitas vezes, tratados com retórica e suportados com enfado. Tornam-se invisíveis e não têm força nem peso na sociedade. Homens e mulheres cada vez mais estranhos em nossas casas e marginalizados em nossos bairros. ;É a confiança no Senhor, a certeza de não ser abandonado, que convida o pobre à esperança, Sabe que Deus não o pode abandonar. Por isso, vive sempre na presença daquele Deus que se recorda dele.;

Mas quem são os pobres? ;São todos aqueles que, não tendo o necessário para viver, dependem dos outros. São o oprimido, o humilde, aquele que está prostrado por terra.; Jesus se identifica com cada um deles. ;Sempre que fizestes a um desses meus irmãos pequeninos a mim mesmo o fizeste; (Mt 25, 40 ).

Jesus inicia sua pregação do Reino de Deus com esta afirmação: ;Felizes os pobres; (Lc 6, 20). Por quê? Porque ;estão na condição de receber; o Reino de Deus. ;E encontramos tantos pobres cada dia.; E os pobres são sempre mais pobres e numerosos em nosso tempo. ;Jesus confiou à comunidade cristã a tarefa de alimentar a esperança dos pobres; de ;reanimar a esperança e restabelecer a confiança. É um programa que a comunidade cristã não pode subestimar. Disso depende a credibilidade do anúncio e do testemunho dos cristãos.; A opção pelos últimos, que a sociedade descarta e lança fora ;é uma escolha prioritária que os discípulos de Cristo são chamados a abraçar para não trair a credibilidade da Igreja e dar uma esperança concreta a tantos indefesos;.

;Os pobres adquirem verdadeira esperança, não quando se veem gratificados por lhes termos concedido um pouco de nosso tempo, mas quando reconhecem no nosso sacrifício um ato de amor gratuito que não procura recompensa. Os pobres precisam de Deus, de seu amor que se torna visível nas pessoas santas que vivem ao seu lado e na simplicidade de sua vida, exprimem e fazem emergir a força do amor cristão.;

;Os pobres precisam das nossas mãos para se reerguerem, dos nossos corações para sentir de novo o calor do afeto, da nossa presença para superar a solidão. Precisam simplesmente de amor. Os pobres precisam das nossas mãos para se reerguerem, dos nossos corações para sentirem de novo o calor do afeto, da nossa presença para superar a solidão. Precisam simplesmente de amor.;

;A esperança do pobre desafia as várias condições de morte, porque sabe que é particularmente amado por Deus e, assim, triunfa sobre o sofrimento e a exclusão. ;Deus não fica indiferente à sorte dos seus irmãos mais frágeis; pelo contrário, observa as suas fadigas e sofrimentos, para os tomar na suas mãos e dar-lhes força e coragem.;



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