Grito de amor

Grito de amor

» Geovana Melo*
postado em 05/10/2019 00:00
 (foto: Fábio Audi/Divulgação)
(foto: Fábio Audi/Divulgação)


O rosto de Maria do Céu projetado em três fotos idênticas dando uma sensação de profundidade foi a imagem escolhida para ilustrar a capa do novo álbum da cantora Céu, APKÁ. A escolha simboliza uma imersão nos sentimentos da compositora, combinando com o tom do novo trabalho, perpassado de lirismo. Com Érico Toscana assinando a fotografia da capa do CD, produzido por Hervé Salters e Pupillo, e Céu supervisionando tudo, o disco chegou de surpresa, após três anos do último lançamento.

Com APKÁ, a artista escolheu um assunto que fala com propriedade para se inspirar: a própria vida. Céu transmite pela música, as vivências divididas entre a maternidade, o feminino e o amor. ;Eu queria falar de coisas que estão no meu universo. Tem questões de amor, de ideologias, há canções de protestos, sobre o feminino e sobre a função feminina. São universos meus, mas que são ligados ao coletivo;, conta Céu em entrevista ao Correio.

Já no começo do trabalho, fica marcada a relação intimista e familiar de Céu neste álbum. O neologismo APKÁ, foi escolhido para intitular o disco. A palavra surgiu dentro da casa da compositora. ;É meu universo particular, minha família. Foi a palavra que meu filho balburdiou pela primeira vez. Ele mandava essa palavra bem alto e fazia todo mundo rir, virou uma brincadeira interna, um grito de amor e alegria, e eu achei que era palavra que mais poderia traduzir este momento;, pontua a artista.

Céu segue explorando a multiplicidade sonora e as composições. Em meio a batidas eletrônicas, ela explora os extremos da percussão e das letras para enfatizar as emoções dela e as do outro lado da linha, as do ouvinte. ;É um disco que fala de contraste, contrastes em todas as suas formas;, pontua a cantora e compositora.

Parcerias

Composto por 11 faixas, a maioria de autoria de Céu, o álbum também ganhou contribuições de Hervé Salters, Caetano Veloso, Fernando Almeida e Pupillo. ;Meu processo criativo é um processo íntimo, vou escrevendo e entendo onde eu quero chegar. Todo dia eu parava um pouquinho para a criação;, revela.

Admiradora do trabalho de Caetano Veloso, a cantora entrou em contato com ele para pedir uma música que pudesse ser incluída em APKÁ. ;O Caetano foi muito generoso e maravilhoso e me mandou Pardo. Eu amei o tema, eu amei tudo. A generosidade dele em eu poder cantar a composição da minha maneira, mesmo sendo uma música dele. Eu fiquei feliz com o resultado, ela fez parte da história;, relembra Céu.

A composição de Fernando Almeida da banda Boogarins, Make sure your head is above, foi encomendada pela artista. Desta vez, um trabalho em inglês, mas que segue com a temática amorosa. ;Eu tenho muita gente que me acompanha fora do Brasil, eu tenho que me comunicar com eles também. Dessa vez, eu me abri para fazer isso. É um presente para quem me escuta há tantos anos cantando em português, agora me ouvir em inglês. É muito gostoso, eu achei que seria interessante;, afirma.

APKÁ foi composto logo após o nascimento de Antônio, segundo filho da cantora com o baterista Pupillo. Ocitocina foi a primeira canção a tomar forma no novo projeto. Com alguns rascunhos em mãos, a cantora foi para Berlim encontrar Hervé, amigo e um dos produtores do disco, e assim, consolidaram as canções. ;Essas músicas sou eu, elas significam o que eu fiz, o que eu quero e as minhas limitações;, pontua.

;Eu sou uma pessoa que vive muito no presente, acho que me dediquei, amamentei, eu vivenciei uma coisa muito mágica, fantasiosa, e real. Foi uma força que eu vivenciei e contribuiu para o meu trabalho;, conta Céu sobre a gravidez, que a inspirou na produção de APKÁ.

*Estagiária sob supervisão de Igor Silveira



APKÁ
Quinto disco de Céu. Slap, 11 faixas. Disponível nas plataformas digitais.

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