Mais uma suspeita de abuso em escola de BH

Mais uma suspeita de abuso em escola de BH

Em reunião da diretoria do colégio com os pais, surge denúncia de que outra criança pode ter sido estuprada. Caso é investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais. Instituição afastou suspeito e ofereceu ajuda psicológica e jurídica aos responsáveis pelos menores

» Márcia Maria Cruz
postado em 08/10/2019 00:00
Pais de alunos de um colégio particular em Belo Horizonte se reuniram com a direção na manhã de ontem para discutir uma denúncia de estupro que movimentou as redes sociais e assustou as famílias neste fim de semana. A vítima seria um menino de 3 anos. O suspeito, que trabalhava como monitor de educação física, foi afastado. A Polícia Civil investiga o caso.

A comerciante Rosiane Pinto, 45 anos, é mãe de uma menina de 4 anos, que estuda na escola desde 2018, disse que, durante reunião, foi relatado outro provável abuso. A escola colocará dois monitores no banheiro. O colégio também ofereceu ajuda de um psicólogo, que ficará à disposição para ouvir as crianças. A orientação aos pais é que procurem um profissional especializado. A reunião foi interrompida quando uma mãe passou mal.

A informação de Rosiane foi confirmada pela reportagem. Durante a reunião, uma mãe e a tia de um garoto também de 3 anos, que pode ter sido o segundo abusado pelo monitor, apresentaram o boletim de ocorrência. A mãe da criança estava abalada e quem relatou o ocorrido foi a tia. Integrantes do grupo Pais que Protegem participaram da reunião, que foi bastante tensa, com mães que choravam. Representantes da escola fizeram relato da trajetória do suspeito na escola. Ele foi contratado pelo projeto Escola de Esportes, atuando por quatro anos como um ;faz-tudo;.

Estágio na escola

Nesse meio tempo, o suspeito iniciou o curso de educação física e, recentemente, saiu do projeto Escola de Esportes para estagiar na escola. Durante a reunião, foi relatado que o suspeito não levava as crianças ao banheiro. As crianças eram acompanhadas de uma assistente.

O engenheiro Júnior Lopes, 52, pai de dois alunos, uma criança e um adolescente, disse que se solidariza com as famílias e também saiu em defesa do colégio. ;Eu espero que as pessoas entendam isso: o colégio, como as famílias, é vítima de uma pessoa que não é normal, que está no meio da gente e que é difícil de ser identificado;, comentou. ;A polícia tem de punir, e a escola dar a assistência que está dando às famílias;, disse.

O caso é investigado pela 2; Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Dopcad) de Belo Horizonte. A reportagem apurou que o suspeito é um ajudante das aulas de educação física. O professor de educação física que os pais indicaram como pessoa que chefiava o suspeito disse não poder dar informações sobre o caso e que não seria responsável pelo suspeito ter cometido o abuso. ;Sou responsável apenas por mim, pelos meus filhos e pela minha família. Não posso falar nada, confirmar ou negar nada sobre esse caso;, disse no fim de semana.

Por meio de nota, o colégio informou, no sábado, que ;nesta sexta-feira, 4 de outubro, a direção da escola ouviu os relatos dos pais sobre a mudança de comportamento do filho e sobre a conduta de um colaborador. Imediatamente, foram colocadas à disposição da família as assessorias jurídica e psicológica, e o profissional envolvido foi afastado de suas funções para auxiliar na transparência das apurações;.

Também em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que as investigações estão em andamento.;A Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente realiza várias diligências para coleta de dados, procedendo com escutas especializadas realizadas por psicólogos;.

Colaborou Mateus Parreiras


"O colégio, como as famílias, é vítima de uma pessoa que não
é normal, que está no meio da gente e que é difícil de ser identificado;

Júnior Lopes,
engenheiro pai de dois alunos do colégio

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